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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Aspectos do Tantra no Bheda-abheda de Caitanya



Aspectos do Tantra 
no Bheda-abheda de Caitanya

Swami Krishnapriyananda Saraswati
Gita Ashrama
2010

Sri Adi Sankaracharya


Bheda-Abheda e Tantra
Falando sobre os aspectos filosóficos de Sri Krsna Caitanya Bharati, chamado pelos "hare krishnas" como Caitanya (um nome genérico, dado aos Brahmacarys de Sringeri Math), é sabido que Ele retomou o princípio Bheda-Abheda (igualdade nas diferenças do Atma: em outras palavras, somos iguais em nossas diferenças!) que havia ficado esquecido desde as colocações de Sri Bhaskara Acharya, um de nossos predecessores na Sucessão espiritual (isso foi por volta do ano 800 da nossa atual era). Para o bem da verdade, Mahaprabhu pertence a ordem iniciática de Sringeri Math; Ele era Sankarite -  tendo sido iniciado, primeiramente, pelo Sankaracharya Sri Ishvara Puri, discípulo de Madhavendra Puri, da Dasnami Sampradaya de Sankara. Posteriormente, Ele tomou Sannyasa de Sri Kesava Bharati, também Dasnami Sankarite, da Sampradaya Bharati (a ordem que foi iniciada por Ubhaya Bharati, esposa de Mandana Mishra), logo, todos possuem uma ordem de tradição Tantra; Sankara por ser Nambudiri, Brahmanas Tantras tradicionais, e também os outros por afinidade de filosofia ou então de nascimento. Diz a tradição que Bharati Devi foi uma encarnação de Saraswati Devi em pessoa, e graças a Sua imensa ajuda, Sri Sankaracharya abandonou a rigidez clássica do Vdanta até então, advindas da tradição mongol e também judaico-cristã, devido a Suas experiências com Kamadevi. Isso foi como uma "tantralização" de Sankara, e a partir de ali, Sankaracharya alcançou o mais elevado êxtase de amor divino, nos legando o Atma dinâmico ou dialética védica, de modo que a antiga forma defendida pelo grego Parmênides (um Ser estático e ataráxico na metafísica), abriu-se diante do universo de até mesmo pelo grego Heráclito: um Ser que está sempre sendo.. diferente na Sua igualdade permanente de estar mudando.... Estes legados filosóficos ficaram esquecidos até então, e pela misericórdia sem par do Divino, na luz da Filosofia, estamos novamente trazendo para as pessoas. Tomara que todos possam compreender isso.

Sri Adi SankaraAcharya
Sri Adi Sankaracharya é o legítimo sucessor ou Acharya do Advaita Vedanta, no séc. VIII  também da mesma ordem iniciática de Sri Bhaskara, ainda que o mestre espiritual de ambos seja diferente. Sankara  traz com todo brilho o retorno do Sanatana Dharma para o continente indiano, uma vez que o povo havia ficado praticamente proibido de adorar a Deus conforme a lei védica indicava, devido às influências ateístas e niilistas deixada pelos dos budistas e outras seitas da mesma natureza. Sri Sankara não só expulsou os budistas especuladores do território, como também ampliou a margem de adoração ou Pancha Yajña, uma vez que nas Escrituras védicas, inclusive os Vedas, aparecem os nomes e ou menções das formas do Supremo, logo, adorar a Deus nos Seus diferentes nomes e formas é atender o que está dito no décimo segundo canto do Bhagavad-gita (tanto manifestas como imanifestas).

Sri Krishna Caitana Bharati
Afresco alusivo ao nascimento
de Caitanya (Bengala)
Sri Krishna Caitanya é o corolário Bhakti-Tântrico por excelência na sua forma de Bheda-abheda (igualdade e diferenças simultâneas do Jiva e Brahman). no séc. XVI. Ele personificou Radha-Krsna ou Sakti-Sakta como ninguém havia feito antes, sem menosprezar a Filosofia e a Lógica védicas. Sua colocação no mundo material, na Idade Média, em plena idade das navegações Portuguesas e Holandesas, entre outros, é vital para o retorno do Sanatana Dharma no continente indiano, que estava sob o domínio muçulmano na ocasião. Por exemplo, ninguém podia adorar “ídolos”, porque isso é considerado “pecado” pelos muçulmanos, judeus e cristãos. Caitanya desobedeceu às ordens do Kashir local, governador muçulmano, e convocou o povo a orar e cantar para a forma de Deus que achassem mais conveniente, saindo às ruas e cantando em procissão, sendo que a forma de Krishna e Seus passatempos já estavam, de algum modo, incluídos nas seitas judaico-cristãs. Mesmo o mito do nascimento de Caitanya, pelo fato de dizer-se que ele nasceu embaixo de uma árvore neem, é uma clara acomodação ao Corão, onde tal acontecido é narrado de forma muito parecida no texto sagrado máximo dos muçulmanos, na surata 19,23, Máriam (Maria), que deu a luz Jesus nestas condições, embaixo de uma tamareira.

Siva Sakti
SivaSakti
Sendo Radha e Krsna experimentando o amor divino dos devotos, ou o que Krsna sente d’Ele mesmo, Sri Caitanya é a prova máxima que o Tantra é o modo mais coincidente com o amor de Deus. Contudo, estamos agora vivendo uma era de “machismos” e “fanatismos machistas”, o que tem, sem dúvida, promovido a prostituição de homens e mulheres. O sexo e o encontro do casal divino são considerados "pecaminosos" pelos machistas, geralmente homofóbicos, de modo que a expressão "masculina-feminina" de Caitanya, muitas vezes, é confundida com homossexualismo pervertido ou coisa do gênero. Mas, longe disso, Sri Caitanya é a perfeição do amor de Deus personificado em Siva/Sakti.  Por isso, é inconciliável considerar a mulher como sendo inferior e ao mesmo tempo enaltecer os aspectos Sakti-Siva de Caitanya. São imperfeições filosóficas gritantes, claramente presentes em seitas modernas, mas que infelizmente passam desapercebidas, devido ao fato de que o machismo colocado pelos mongóis, depois pela tradição judaico-cristã, mergulhou o mundo na mais profunda ignorância do que vem a ser a sexualidade. Kali-yuga é isso, desconhecimento da perfeição da obra divina, e mundanização da perfeita união de Siva-Sakti (Radha-Krsna ou “claro-escuro”, respectivamente).


Ordem Sankarite
Na ordem Sankarite defendemos a unidade do Supremo e tão somente a existência d´Ele. Tudo é Brahman, não somos dualistas, e seguimos o Advaita, literamente, “o sem-segundo”, popularmente chamado de “não-dualismo”. Tampouco somos “impersonalistas”,  como falsamente nos acusam os dualistas ingênuos. O Senhor Krsna nos diz no Bhagavad-gita que entre os devotos, Bhaktas, há os que O adoram na forma ou Rupa Manifesta – Vyakta,  e Imanifesta – Avyakta-, e que ambos são bem-queridos por Ele. Veja isso no canto 12 do Bgita. A tradução (interpretação) da grande maioria dos dualistas coloca que somente são Bhaktas aqueles que adoram a forma pessoal do Supremo, e que os outros não são devotos ou Bhaktas. Mas Krsna não diz isso, pelo menos é o que sele no original em Sânscrito. Então, ler uma obra que foi alterada no Seu sentido original não é adequado. Como Sri Krsna nos ensina no Gita, não somos partidários de que o Gita mostra um “krsna guerreiro”, e que Krsna é somente o único “macho”, e que todos temos que ser Gopis. Dar atributos finitos ao Absoluto é uma incongruência lógica.

om hari hara om tat sat


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