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sábado, 21 de agosto de 2010

ŚIVA

ŚIVA

Śrī Swāmi Śivānanda

© Tradução para o Português de
Swami Kṛṣṇaprīyānanda Saraswatī


SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA
GITA ASRHAMA
2008-2010
Śrī Śiva Mahadeva ki jay!

O Senhor Śiva representa o aspecto destrutivo do Brahman. Aquela porção do Brahman que é envolvida pelo Tamo-Guna-Pradhana-Maya é o Senhor Śiva. Śiva é o todo-envolvente Isvara, e quem reside no monte Kai-las. Ele é Bhandar ou a morada da Sabedoria. Śiva sem Parvati, Kali, ou Durga é puro Nirguṇā Brahman. Com Maya (Parvati), Ele se torna Saguna Brahman, tendo em vista a piedade pelos Seus devotos. Os devotos de Rama devem adorar a Śiva também. Rama pessoalmente adorava ao Senhor Śiva, no famoso Rameswaram. O Senhor Śiva é o Senhor dos ascetas, e o Senhor dos Yogis, envolto no espaço (Digambara).

O Senhor Śiva, na realidade, é o Regenerador e não o destruidor. A qualquer hora, quando o corpo físico de alguém se torna inadequado para a evolução no atual nascimento, seja por doença, velhice ou outras causas, Ele então remove este estojo estragado e dá outro, saudável, vigoroso, para uma evolução rápida futura. Ele quer aconchegar a todos os Seus filhos nos Seus pés de lótus rapidamente. Ele deseja dar a eles o Seu glorioso Śiva-Pada. É mais fácil agradar a Śiva do que ao Sr. Hari (ishnu ou Krsna). Um pequeno Prema e devoção, um pequeno canto dos Seus Panchakshari, é suficiente para instalar alegria em Śiva. Ele concede bênçãos para Seus devotos com total prazer.

O Senhor Śiva é o Deus do Amor. Sua Graça é infinita. Ele é o Salvador ou o Guru. Ele está engajado na liberação das almas da escravidão da matéria. Ele assume a forma do Guru externamente, por intenso amor pela humanidade. Ele deseja que todos O conheçam, e alcancem a felicidade do Śiva-Pada. Ele observa as atividades das almas individuais, e as auxilia no progresso da sua marcha.

O Senhor Śiva é a personificação da sabedoria. Ele é a Luz das luzes. Ele é Parama Jyoti, ou a Luz Suprema. Ele é autoluminoso ou Swayam Jyoti. A dança de Śiva representa o ritmo e o movimento do Mundo Espiritual. Com Sua dança, as forças do mal e da escuridão tremem e desaparecem.
Śiva significa aquilo o qual é “eternamente feliz ou auspicioso”: Parama-Mangala. OM e Śiva são unos. O Mandukya Upanisad, diz: “Santam Śivam Advaitam”. Até mesmo um sem casta pode meditar no Nome do Senhor Śiva.

O Senhor Śiva é a Realidade Suprema. Ele é eterno, sem forma, independente, onipresente, uno, sem um segundo, sem começo, sem causa, imaculado, auto-existente, sempre livre, sempre puro. Ele não é limitado pelo tempo. Ele é bem-aventurança e inteligência infinitas.

Śiva e Viṣṇu são idênticos
Śiva e Viṣṇu são unas e mesmas entidades. Essencialmente eles são idênticos e os mesmos. Eles possuem nomes diferentes devido aos aspectos diferentes da mesma Alma Suprema todo-impregnante ou o Absoluto. Śivasya Hridayam Viṣṇur Vishnocha Hridayam Śivah: “Viṣṇu é o coração de Śiva, da mesma forma, Śiva é o coração de Viṣṇu”.

om Harihara om tat sat!
A adoração sectária de Viṣṇu ou Śiva é algo recente. O Śiva Siddhānta ou Kantacharya tem cerca de cinco mil anos de idade. Os cultos Vaiṣṇavas de Mādhava e Śrī Rāmanuja tem cerca de seiscentos e setecentos anos de idade, respectivamente. Não havia nenhuma adoração sectária por cerca de sete mil anos.

Brahma representa o aspecto de criação; Viṣṇu, o aspecto de preservação, e Śiva o de destruição do Paramātma. Isso é como vestir roupas diferentes para situações diferentes. Quando você exerce a função de juiz, você deverá pôr uma roupa adequada. Em casa, você veste outro tipo de roupa. Quando você faz adoração no templo, você veste outro tipo de roupa. Você exibe diferentes tipos de tempera-mento em diferentes ocasiões. Assim, também, o Senhor faz a função de criação quando Ele está associado com Rajas, então Ele se chama Brahma. Ele preserva o mundo quando está as-sociado com Sattva Guna, sendo chamado Viṣṇu. Ele destrói o mundo quando ele está associado com o Tamo Guna, e Ele é então chamado de Śiva ou Rudra.

Brahma, Viṣṇu e Śiva têm sido correlacionados aos três Avasthas ou estados de consciência. Durante o estado de vigília, Sattva predomina; durante o sono, Rajas predomina, e durante o estado de sono profundo, o estado de Tamas predomina. Portanto, Viṣṇu, Brahma e Śiva são as Murtīs ou Jāgras, Svāpana e Suśupti, os estados de consciência respectivos. O quarto estado ou Turya é Para-Brahman. O estado de Turya segue-se mediatamente ao sono profundo. A adoração ao Senhor Śiva conduz rapidamente para alcançar o quarto estado ou Turya.

O Viṣṇu Purāṇa glorifica Viṣṇu, e em alguns locais dá uma posição inferior para Śiva. O Śiva Purāṇa glorifica Śiva, e dá um status inferior para Viṣṇu. Devi Bhagavata glorifica Devi, e dá um status inferior para Brahma, Viṣṇu e Śiva. Isso é assim apenas para infundir e intensificar a devoção para a Deidade respectiva nos corações dos devotos. Na realidade, nenhuma Deidade é superior a outra. Você deve entender o âmago do escritor.

Não há diferenças entre a trindade Brahma, Rudra e Viṣṇu. O trabalho de todas as três Deidades é feito conjuntamente. Eles todos possuem um ângulo e um propósito definido na criação, preservação e na destruição do universo visível de nomes e formas. Aquele que consideram as três Deidades como distintas e diferentes o Śiva Purāṇa diz que indubita-velmente é um espírito mal ou demoníaco.

As formas do Senhor Śiva e Seus significados
O Senhor Śiva veste uma pele de veado sob o ombro esquerdo. Ele tem um tridente na Sua mão direita inferior. Ele tem fogo e Ḍamaru, Malu ou um tipo de arma. Ele veste uma guirlanda de crânios. Ele exibe cinco serpentes como ornamentos. Com Seu pé Ele pisa o demônio Muyalaka, um anão que segura uma cobra. Ele direciona-Se ao Sul. Seu corpo é Pañcakśara em Si mesmo.

O Triśula que Ele tem em Sua mão direita re-presenta os três Gunas: Sattva, Rājas e Tamas. Ele é um emblema de soberania. Ele regula o mundo através destes três Gunas. O Ḍamaru, na Sua mão esquerda, representa Sabḍa Brahman; isso representa o OṀ, do qual todas as linguagens se formam. A linguagem sânscrito é formada por Ele, ao som externado do Ḍamaru.

A Lua crescente na Sua testa indica que Ele tem perfeito controle da mente. A corrente ou fluxo do Gaṅga representa o néctar da imortalidade. Os elefantes que O acompanham representam o Vṛitti orgulho. Vestir a pele do elefante significa que Ele possui o orgulho controlado. O tigre representa a luxúria. O fato de Ele sentar-se por sobre a pele do tigre significa que Ele conquistou a luxúria. O fato de Ele vestir a pele de veado por sobre um dos ombros indica que Ele removeu o Cañcalata (agitação) da men-te. Os veados pulam de um lado para outro rapi-damente. A mente, também, pula de um objeto a outro. O fato de Ele vestir serpentes no Seu pescoço significa sabedoria e eternidade. As serpentes vivem muitos anos. Ele é Trilocana, Quem tem três olhos, sendo que o olho no centro da Sua testa, o terceiro olho, é o olho da Sabedoria.

O Senhor Śiva tem a compleição branca. Qual é o significado desta cor? Ela ensina que as pessoas devem ter o coração puro, entretendo pensamentos puros, devendo estar livres de desonestidade, diplomacia, astúcia, inveja, ódio, etc.

Ele tem três listras brancas na testa, Bhaśma ou Vibhūti. Qual o significado disto? Isso ensina silenciosamente que as pessoas devem destruir as três impurezas, a saber: Anavam (egoísmo); Karma (ação tendo em vista os resultados); e Māya (ilusão); e os três desejos ou Eśanas, a saber: desejo por propriedades; desejo por mulheres, e desejo por ouro, e três Vāsanas, a saber: Loka-Vāsana, Deha-Vāsana, e Śastra-Vāsana, para então alcançar um coração puro.

O que significa o Balipita ou altar, o qual está diante do sanctum sanctorum no templo de Śiva? As pessoas devem destruir seus egoísmos e o “meuismo” (Ahamta e Mamatā), antes delas poderem alcançar o Senhor; este é o significado do Balipita.

Riśabha ou o búfalo representa Dharma Devāta. O Senhor Śiva monta sobre um búfalo. O búfalo é o Seu veículo. Isso significa que o Senhor Śiva é o protetor do Dharma, sendo a personificação do Dharma ou retidão.

O Liṅgam representa Advaita, indicando que: “Eu sou uno sem-segundo – Ekamevādvitiyam”, da mesma maneira que uma pessoa só eleva a sua própria mão, apontando para sua cabeça com o polegar da mão direita.

Adorando o Śiva-Liṅgam
A crença popular é que o Śiva-Liṅgam representa o falo ou o órgão viril masculino; o símbolo do poder ou princípio gerador na natureza. Isso não apenas é um sério engano, mas uma falha grave. No período pós-védico, o Liṅga tornou-se símbolo do poder gerador do Senhor Śiva. O Liṇga é a marca diferenciadora. Com certeza não é uma marca sexual. Você encontrará no Liṅga-Purāṇa: “O Liṅga primevo é destituído de cheiro, cor, gosto, audição, toque, etc., é dito como sendo Prakṛti, natureza”.

Liṅga significa “marca”, em Sânscrito. Ele é um símbolo o qual aponta para uma suposição. Quando você vê uma grande enchente num rio, você infere de que há ocorrido chuvas pesadas no dia anterior. Quando você vê fumaça, você supõe de que há fogo. Este vasto mundo de incontáveis formas é o Liṅga do Senhor Onipotente. O Śiva Liṅgam é um símbolo do Senhor Śiva. Quando você olha para o Liṅga, sua mente é então elevada, e você inicia a pensar no Senhor.

Om namah Sivaya om namah sivalinga

O Senhor Śiva é realmente sem forma. Ele não possui forma própria, e, mesmo assim, todas as formas são Suas formas. Todas as formas estão impregnadas pelo Senhor Śiva. Cada forma é a forma ou Liṅga do Senhor Śiva.

Há um poder misterioso ou Sakti indescritível no Liṅga, que induz à concentração da mente. Assim como a mente se fixa facilmente numa bola de cristal, assim, também, a mente alcança fixação em um ponto quando ela olha para o Liṅgam. É por esta razão porque os antigos Ṛśis da Índia e os buscadores têm prescrito instalar o Liṅgam nos templos do Senhor Śiva.

O Śiva Liṅgam diz para você, na inequívoca linguagem do silêncio: “Eu Sou uno sem um segundo. Eu Sou sem forma”. Apenas almas puras, piedosas podem entender esta linguagem. Uma pessoa curiosa, passional, estranha e impura, de entendimento ou inteligência curta, diz de forma sarcástica: “Ó, os ‘hindus’ adoram o falo ou órgão sexual. Eles são pessoas ignorantes. Eles não possuem filosofia”. Quando uma pessoa estrangeira tenta aprender a linguagem Tâmil ou Hindustânica, primeiro ela tenta pegar algumas palavras vulgares. Esta é a sua curiosidade natural. Desta forma, então, um curioso estrangeiro tenta encontrar alguns defeitos na adoração simbólica. O Liṅga é unicamente o símbolo externo do Senhor Śiva indivisível, todo-impregnante, eterno, auspicioso, sempre-puro, essência imortal deste imenso universo; a alma imorredoura que está sentada nas câmaras do seu coração; quem é o habitante no seu interior; o mais secreto Ser ou Ātma, e quem é idêntico com o Brahman Supremo.

SphatikaLiṅga é, também, um símbolo do Senhor Śiva. isso está prescrito para Aradhana ou adoração ao Senhor Śiva. Ele é feito de quartzo. Ele não possui cor própria, mas toma a cor de diferentes substâncias as quais entram em contato com ele. Ele representa o Nirguṇā Brahman ou o Supremo Absoluto sem Atributos; Śiva sem for-ma.

Para um devoto sincero, o Liṅga não é um bloco de pedra. Ele é o Tejas radiante ou Caitanya. O Liṅga diz para o devoto; fazendo com que lágrimas sinceras brotem dos seus olhos, produzindo calafrios e derretendo o coração; elevando-o acima da consciência do corpo, e auxiliando-o a comunhão com o Senhor, alcançando o Nirvikalpa Samādhi. O Senhor Ra-ma adorava o Śiva Liṅga em Rameśwar. Rāvana, o erudito catedrático, adorava o Liṅgam de ouro. Quanto Śakti mística poderá haver no Liṅga!
Śiva Abhiśeka
Nos templos de Śiva, um pote é feito de cobre ou aço, com um buraco no centro, é mantido gotejando água por sobre um Liṅga de Śiva, sendo que a água cai dia e noite por sobre a imagem. Colocar por sobre o Liṅga água, leite, Ghī, iogurte, mel, água de coco, Pañcamṛta, etc., é Abhiśeka. O Abhiśeka é feito para o Senhor Śiva. Rudrī é cantado junto com o Abhiśeka. O Senhor Śiva é agradado pelo Abhiśeka.

Om Namah Siva om namah Sivalinga

O Senhor Śiva bebeu o veneno que emanou do oceano de leite, e usou Ganga e a lua para refrescar a Sua cabeça. Ele tem o terceiro olho ígneo. O Abhiśeka constante refresca este olho.

O Abhiśeka é uma parte do Śiva Pūjā. Sem Abhiśeka a adoração do Senhor Śiva é incompleta.

Água do Gaṅga, leite, Ghī, mel, água de rosas, água de coco, pasta de sândalo, Pañcamṛta, óleos aromáticos, suco de cana, suco de lima, todos são usados para Abhiśeka. Após cada Abhiśeka, água pura é colocada por sobre a cabeça de Śiva.

A água do Abhiśeka é considerada muito sagrada, e concede imensos benefícios para os devotos que a recebem como Praśāda do Senhor. O mesmo é o caso com os artigos usados para o Abhiśeka. O Abhiśeka Tirṭha purifica o coração, e destrói incontáveis impurezas. Você deve tomá-lO com imensa fé e Bhava.

Quando você faz o Abhiśeka com Bhava e devoção, sua mente concentra-se; seu coração se enche com a imagem do Senhor e com pensamentos divinos; você esquece seu corpo, suas relações e circunjacências. O egoísmo gradualmente se esvai. Quando ocorre esta situação, você experimenta e alegra-se com a bem-aventurança eterna do Senhor Śiva. A recitação do Rudrī Mantra ou seja, Oṁ Namaḥ Śivaya, purifica a mente e a preenche com Sattva.

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Pelo oferecimento do Pañcamṛta, contendo mel, leite, etc., ao Senhor, os pensamentos com relação ao seu corpo diminuem; o egoísmo desaparece lentamente, e você experimenta uma imensa alegria, e você inicia a incrementar suas oferendas junto ao Senhor. Portanto, autossacrifício e autorrendição chegam. Naturalmente há uma emanação do seu coração: “Eu sou Teu, meu Senhor! Tudo é Teu, meu Senhor!”

Kannappa Nayanar, um grande devoto do Senhor Śiva, caçador por profissão, certa feita fez Abhiśeka com água em sua boca, para o Liṅgam em Kalahaśti no Sul da Índia, e isso agradou o Senhor Śiva. O Senhor Śiva é agradado pela devoção pura. É o Bhava interior que conta, e não o que é demonstrado externamente. O Senhor Śiva disse ao sacerdote do tempo: “Essa água da boca de Kannappa, meu amado devoto, é muito mais pura do que a água do Ganga”.

No norte da Índia, cada pessoa, homem e mulher, colocam água num Lota e derramam sobre a imagem de Śiva. Isso, também, causa resultados benéficos e ocasiona a gratificação do desejo de alguém. O Abhiśeka no dia de Śivarātri é muito efetivo.

Se você fizer Abhiśeka com Rudrīpatha, em nome de uma pessoa que estiver sofrendo, por qualquer doenças, ela irá em breve libertar-se dela. Doenças incuráveis são curadas pelo Abhiśeka. O Abhiśeka confere saúde, riqueza, prosperidade, progênie, etc. O Abhiśeka feito as segundas-feiras é muito auspicioso.

Para conseguir chuva o Abhiśeka deverá ser feito com água pura. Para livrar-se da doença, para conceber um filho, o Abhiśeka deverá ser feito com leite. Se o Abhiśeka é feito com leite, mesmo uma mulher infértil gerará crianças. A pessoa que assim age também consegue abundância de vacas. Se o Abhiśeka é feito com água de Kuśa, a pessoa se torna livre de todas as doenças. Quem deseja riqueza deverá realizar o Abhiśeka com Ghī, mel, e melado. Quem deseja Mokṣa, deverá fazer o Abhiśeka com águas sagra-das.

O mais elevado e maior dos Abhiśekas é derramar as águas do amor puro sobre o Ātma Liṅga, no lótus do coração. O Abhiśeka externo, com vários tipos de objetos, auxiliará o crescimento da devoção e da adoração para o Senhor Śiva, e no final conduzirá para o Abhiśeka interno, com a corrente de abundante amor puro.

A glória dos hinos em louvor ao Sr. Śiva.
Rāvana agradou o Senhor Śiva com Seus hinos. Pushpādanta agradou o Senhor Śiva por celebrar Seus Stotras – Śiva Mahimna Stotra – como hoje é cantado pelos devotos de Śiva por toda a Índia, e alcançou todos os Siddhis ou Aisvaryas, e Mukti (liberação). As glórias dos Stotras de Śiva são indescritíveis.

A mente se purifica pela constante repetição dos Stotras de Śiva, os Nomes do Senhor Śiva. Os Stotras estão cheios de pensamentos puros e bons. A repetição dos hinos de Śiva fortalece os bons Saṁskaras (impressões). Do modo como uma pessoa pensa ela se torna. Essa é uma lei psicológica. A mente de uma pessoa que treina a si mesma com bons e sagrados pensamentos, desenvolve uma tendência para pensar coisas boas. O caráter molda-se e é transformado pela continuidade dos bons pensamentos. Quando a mente pensa na imagem do Senhor, durante Seus hinos, a substância mental realmente assume a forma do Senhor. A impressão do objeto é deixada na mente, e isso se chama Saṁskara. Quando um ato é repetido frequentemente, os Saṁskaras ganham força por esta repetição, e hábito ou tendência é formado na mente. Aquele que entretém pensamentos da Divindade transforma-se na Divindade em si mesmo, pelo constante pensamento. O Bhava ou disposição é purificado e divinizado. Quando alguém canta os hinos do Senhor Śiva, ele sintoniza-se com o Senhor; a mente individual dissolve-se na mente cósmica. Aquele que canta os hinos do Senhor Śiva torna-se uno com o Senhor Śiva.

Todos vocês devem cantar os hinos do Senhor Śiva, e obter a Sua Graça e salvação; não num futuro incerto, mas agora mesmo, neste momento. Você pode agradar ao Senhor Śiva facilmente.

O Pañcakśara Mantra
Pañcakśara é um Maha Mantra, o qual é composto de cinco letras Na-Mah-Si-Va-Ya. As cinco letras denotam as cinco ações ou Pañca Kṛtyam do Senhor, a saber: Śrīśti (criação); Sthiti (preservação); Samhara (destruição); Tirodhāna (encobertamento), e Anugrāha (bênção); os cinco elementos, e todas as criações por intermédio dos cinco elementos.

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Namaḥ, significa: prostração; Śivaya Namaḥ, significa, “prostração para o Senhor Śiva”. O Jīva é o servo do Senhor Śiva proveniente de Deha-Dṛśti. Namaḥ representa Jivātma. Śiva representa Paramātma. Aya, denota “Aikyam”, ou identidade do Jīva e Paramātma. Por conseguinte, Śivaya Naham é Maha-Vakya, tal qual Tat Tvam Asi, o qual significa a identidade entre a alma individual e a Alma Suprema.

Pañcakśara é o melhor entre sete Crores de mantras. Existem sete Skaṇdhas no Yajur-veda; no centro está Rudradhyayi, no meio do Skaṇdha. Neste Rudradhyayi há mil Rudra-Mantras. Namaḥ Śivaya ou Śiva Pañcakśara Mantra brilha no centro destes mil Rudra Man-tras.

O Yajur-veda é a cabeça do Parameśvara, o qual é o Veda Puruṣa. Rudram, o qual está no meio, é a face. O Pañcakśara é Seu olho; Si-va, o qual está no centro de Na-mah-si-va-ya, é a pupila do Seu olho. Quem faz Japa deste Pañcakśara livra-se de nascimentos e mortes, e alcança a bem-aventurança eterna. Esta é a enfática declaração dos Vedas. Este Pañcakśara é o corpo do Senhor Natarāja; esta é a morada do Senhor Śiva.

Śiva-nama é a verdadeira alma de todos os Mantras. O japa dos Nomes sagrados de Śiva e a meditação n´Eles, irá libertar vocês de todos os pecados, e os conduzirá para alcançar o Śiva Jñanam, ou bem-aventurança eterna e imortalida-de.

A dança de Śiva
O Senhor Śiva é um dançarino único. Ele é especialista o mestre dançarino. Ele é o rei dos dançarinos. Ele apaziguou o orgulho de Kali Devī. A destruição do Senhor Śiva não é um único ato, mas uma série de atos. Há um diferente tipo de dança em cada estágio.

Śivanatarāj

A dança do Senhor Śiva tem em vista o bem-estar do mundo. O objetivo da Sua dança é o de liberar as almas caídas das garras de Maya, dos três laços ou impurezas como Anava, Karma e Māya. Ele não é um destruidor, mas ele é o regenerador. Ele é o Maṇgala-data e o Anānda-data, concedente de auspiciosidade e bem-aventurança. Ele é mais facilmente agradado do que o Senhor Hari (Kṛṣṇa ou Viṣṇu). Ele concede bênçãos rapidamente, por um pouquinho de Tapas (austeridade) ou pouquinho de recitação das Suas cinco letras.

Você pode ver a dança de Śiva nos movimentos das ondas do oceano; na oscilação da mente; nos movimentos dos sentidos e dos Prāṇas; na rotação dos planetas e constelações; na Pralāya (dissolução) cósmica; nas epidemias e doenças infecciosas; nas gigantescas inundações e nas erupções vulcânicas; nos terremotos, deslizamentos de terras, nos relâmpagos e trovões; nas imensas queimadas, furacões e temporais.

Todo o jogo cósmico, atividade ou Līlā é a dança de Śiva. Todos os movimentos internos no cosmos são Sua dança. Ela (Śiva) observa a Prakṛti e a energia. A mente, o Prāṇa, e a matéria iniciam com a Sua dança. Quando o universo de nomes e formas é lançado, a energia material indiferenciada, som e energia se tornam diferenciados.

Na noite de Brahman, ou durante o Pralāya, a Prakṛti está inerte, sem movimento. Isso é Guṇa-Samya Avaśtha. Os três Guṇas estão em estado de equilíbrio ou balanço. A Prakṛti não pode mexer-se até que Śiva queira isso. O Senhor Śiva ergue-Se do Seu silêncio e inicia a dançar. O som indiferenciado torna-se diferenciado, através da configuração do som, através dos movimentos de Seu Ḍamaru ou tambor. Sabda Brahman ingressa no interior dos seres. A energia indiferenciada também se diferencia. O equilíbrio dos Guṇas se torna perturbado. Os três Guṇas: Sattva, Rājas e Tamas se manifestam. Todas as esferas, os átomos e os elétrons também dançam ritimadamente e de modo ordenado. Os átomos dançam nas moléculas e as moléculas dançam em todos os corpos. A dança inicia no tempo e no espaço. A Prakṛti, também, inicia a dançar com Ele e Sua glória ou Vibhūti. O Prāṇa inicia a agir no Ākaśa, ou matéria sutil. Várias formas se manifestam. Hiraṇyagarbha ou o “ovo dourado” – mente cósmica – também se manifesta.

Quando chega a hora, o Senhor Śiva destrói todos os nomes e formas pelo fogo, enquanto dança. Então vem o silêncio novamente.

Natarāja de Chidambaram é um experiente dançarino. Ele tem quatro mãos. Ele veste o Gaṅga e a lua crescente nos Seus tufos de cabelo. Ele segura um Ḍamaru na Sua Mao direita. Ele mostra o Abhaya Mudra para Seus devotos, erguendo a Sua mão esquerda. O significado disso é, “Ó devotos! Não sejam receosos! Eu protegerei a todos vocês!”. Numa de Suas mãos esquerda Ele segura o fogo. Na outra mão direita ele aponta para baixo, para o Asura Muyalaka, que está segurando uma serpente. Śiva ergue seu pé esquerdo de um modo muito lindo.

O som do tambor convida a alma individual para Seus pés de lótus. Ele represente o Omkara. Todo o alfabeto sânscrito origina-se da música do Ḍamaru. A criação surge do Ḍamaru. A mão do Senhor Śiva que mostra Abhaya Mudra, nos dá proteção. A destruição advém do fogo. A elevação do pé de Śiva indica Maya ou ilusão. A mão que aponta para baixo mostra que seus pés de lótus são o único refúgio para a alma individual. Tiruakśi representa o Oṁkara ou Pranāva OM.

A dança é absolutamente suave. Se Ele dançar de forma forte, toda a Terra irá cair imediatamente. Ele dança com Seus olhos fechados, porque as fagulhas dos Seus olhos irão consumir o universo inteiro. As cinco atividades do Senhor: Śrīśti, Sthiti, Samhara, Tirobhava, e Anugraha (criação, preservação, destruição, acobertamento e graça), são as danças de Śiva.

Adoração do Senhor Śiva
ò Abençoado Sr. Śiva, a Ti prestamos nossas humildes reverências. Om Namah Śivaya!
Um devoto do Senhor Śiva deverá aplicar Vi-bhūti na testa e no corpo. Ele deverá vestir um Rudrakśamala. Ele deverá adorar o Śiva-Liṅga com folhas da árvore Bilva; ele deverá fazer o Japa de Pañcakśara Mantra: Om Namaḥ Śivaya! Ele, também, deverá meditar no Pañcakśara. O Senhor Śiva é agradado por cada uma destas ações. O Vibhūti ou Bhasma é muito sagrado, sendo usado pessoalmente pelo Senhor Śiva. As contas de um Rudrakshamala representam o terceiro olho, na testa do Senhor Śiva. As folhas de Bilva são consideradas como uma das cinco moradas de Laksmi ou a Deusa da fortuna.

O Japa do Pañcakśara e a meditação no Senhor Śiva deverá ser feita particularmente no Pradosha Kala ou antes que o Sol de ponha. O Pradośa ocorre no décimo terceiro Tithi após a lua cheia ou num dia de lua nova, sendo conhecido como Mahapradosha. Os Devās visitam os templos de Śiva e adoram ao Senhor neste período. Você pode adorar os Devas, também, se você visitar os templos durante o Māhapradośa. Os devotos do Senhor Śiva ob-servam pleno jejum nos dias de Māhapradośha.

Faça Pūjās especiais nas segundas-feiras e nos dias de Māhapradosha. Estes dias e no Māha Śivarātri são muitos sagrados para o Senhor Śiva. O Maha Śivarātri significa que uma grande noite é consagrada ao Senhor Śiva. O Māha Śivarātri ocorre no Trayodasi ou no décimo terceiro dia da noite escura do mês Kumbha (Phalguna). Os feitos importantes nesta função religiosa são o rígido jejum por doze horas e manter vigília durante a noite. Cada verdadeiro devoto do Senhor Śiva passa a noite do Śivarātri em profunda meditação, mantendo vigília e observando jejum.

O Senhor Śiva é o Deus do amor. Sua graça é abundante. Ele é o Salvador e Guru. Ele é o amado de Uma. Ele é Satyam, Śivam, Subham, Sundaram, Kantam. Ele é a luz Suprema, que brilha no coração de todos.

Medite na forma do Senhor Śiva, ouça Seus Lilas. Repita Seu Mantra Om Namaḥ Śivaya. Estude o Śiva Purāṇa. Adore-O diariamente. Contemple-O em todos os nomes e formas. Ele irá abençoar vocês com Sua visão.

Glossário
Asura= demônio.
Bhasma= cinzas sagradas.
Brahma= o criador do mundo material.
Brahman= o Absoluto.
Guna= qualidades materiais: Rajas, ação; Sattva. Equilíbrio, e Tamas, inércia.
Japa= repetição de um Mantra dado pelo Guru ou Mestre Espiritual.
Jyotir= brilho; refulgência.
Kala= o tempo.
Lila= passatempo; jogo.
Liṅgam= forma sem-forma do Brahman, geralmente representado como um pilar.
Maha= grande; maior.
Mala= 108 contas como num rosário.
Mudrā= gestos que referenciam as Deidades.
Nirguṇā= sem qualidades.
Pada= pés.
Pañcha =cinco.
Prema= amor.
Pūjā= ritual de adoração.
Purāṇa= textos populares da literatura védica. Os mais conhecidos são: Śiva Purāṇa, Viṣṇu Purāṇa, Bhagavata-Purāṇa, e Devi Purāṇa.
Saguna= qualidade.
Vibhūti= cinzas consagradas ao Supremo

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