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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Essência é o mais importante

Swami Krsnapriyananda Saraswati

Gita Ashrama

2010




A essência é o mais importante
Quando regamos a raiz da árvore, todos os galhos, ramos, folhas, flores e frutos são beneficiados. Também, quando alimentamos o estômago, todas as partes do nosso corpo são alimentadas. Deste modo, quando nutrimos a “fonte” que tudo nutre então estaremos nutrindo o Ser em potência. Isso quer dizer que não devemos nos preocupar somente com a forma, mas principalmente com o conteúdo. É por isso que o chela ou pretendente a devoto e o devoto são convidados a entoar os Santos Nomes do Supremo, na forma que lhe for indicado por seu guru, conforme a tradição da Sua escola.

O Ahamkara
Apesar de tudo, o cantar os Santos Nomes não deixa de ser uma ofensa a Sua essência, porque a plataforma condicionada da vida material está sob o comando do “falso eu”, ou do Ahamkara. Este ego é responsável por todo o sofrimento e eterno retorno ao mundo material. Ele é também chamado de “identificação objetiva” ou “identificação material”, “eu sou o corpo e suas relações”. Isso se chama Samsara.

Quando nos ocupamos somente com a forma e esquecemos-nos do conteúdo agimos de tal maneira como uma pessoa, que certa feita comprou uma linda gaiola dourada. Ela todos os dias cuidava muito da gaiola, até que um dia notou um certo cheiro ruim que saia da gaiola. Então se perguntou: “- Eu sempre limpo esta gaiola, ela está sempre brilhando, como pode estar com este cheiro tão ruim?” Daí percebeu que dentro da gaiola estava um pássaro, e o pássaro havia morrido de fome e sede. Assim age alguém que cuida somente da “gaiola das aparências”, ou “eu “ e “meu”; cuidando do aparente, sem se preocupar com o conteúdo; a essência fica ao relento. O Ego é o aparente, aquilo que não tem importância, porque é temporário e transitório. O Ser é o que não é aparente objetivamente, mas que tem importância vital.

O orgulho de “eu” e “meu”
Na época em que Sri Krishna estava no planeta, Ele tinha muitos discípulos e devotos. Então, certa feita, Ele ficou sabendo que um dos Seus discípulos estava muito orgulhoso pelo fato de estar executando muito fielmente as Suas ordens. O discípulo não negligenciava um só dia o canto dos Mantras. Quando praticava o Japa Yoga, ele observava muito atentamente se havia 108 vezes em cada volta; não cruzava o Meru, jamais usava o dedo indicador; na hora correta cantava o Gayatri, etc. Ele era um “virtuose” na realização sistemática do canto do Mantra, e em seguir os princípios e regulações. Não comia carnes, não se intoxicava, era uma Brahmachary estrito, não se envolvia com jogos de azar, etc. Sri Krishna percebeu que o devoto estava num tipo identificação muito peculiar que acontece quando estamos na chamada “fase ofensiva” do canto do Mantra, mesmo que já se tenha estado a tanto tempo na prática do Japa Yoga, porque a pessoa quer, de algum modo, e ainda que inconscientemente, conseguir algum resultado ou benefício, e até mesmo colocar-se acima dos outros devotos. Isso é chamado fase ofensiva do Canto do Maha Mantra.

Sri Krishna quis dar uma lição no Seu orgulhoso discípulo. Ele o chamou e perguntou-lhe: “- O senhor é de fato um devoto dedicado a MIM?”. No que o discípulo respondeu, “- Amado Guruji, não há nada que eu faça que não seja para o Senhor. Digo-lhe sinceramente que não há ninguém tão dedicado neste Ashrama para o Senhor quanto eu. Tudo o que o Senhor pede eu cumpro à risca. Isso lhe posso garantir!”.

Sri Krishna respondeu: “- Meu amado discípulo, eu gostaria que o senhor cumprisse uma tarefa, e somente então conseguirei ver se de fato o senhor é um grande discípulo e que cuida bem nas instruções que dou. O senhor deverá carregar tigelas com água, fazendo voltas na aldeia, durante todo um dia, e no final, veremos quantas gotas de água o senhor derramou”. O discípulo aceitou o desafio, dizendo que provaria que iria seguir à risca o que Sri Krishna havia lhe pedido.

Quando chegou de manhãzinha, antes mesmo do o sol aparecer, o discípulo pegou as tigelas com água, e colocou cuidadosamente um prato por sobre a parte de cima, como tampa, para que nem mesmo uma gota de água se evaporasse durante o dia. Assim iniciou a dar voltas na aldeia, e nem mesmo cumprimentava as pessoas, que cruzavam o seu caminho. As pessoas naturalmente balançavam as cabeças ao ver o devoto, dando a entender a sua posição formal, agindo como um robô. Mas todos já conheciam a natureza competitiva do ego, então logo viram que se tratava de mais um Lila ou passatempo do Senhor Krishna.

O devoto passou o dia dando voltas na aldeia com a tigela nas mãos. Quando chegou a noitinha, levou a tigela diante de Sri Krishna, que olhou muito cuidadosamente e lhe disse: “- De fato, não há sequer uma gota dágua faltanto!”. Então o discípulo respondeu: “- Eu não havia lhe dito? Neste Ashrama não há um discípulo tão seguidor das Suas ordens, de forma rigorosa, quanto eu!”. O Senhor Krishna disse: “- Oh! Meu amado discípulo! De fato, não é Meu mais aplicado devoto!”. “- Como não!? O Senhor não viu que não há nenhuma gota faltando?”, respondeu o discípulo, indignado! O Senhor Krishna respondeu: “- Meu amado, de fato, o mais pobre aldeão é o Meu melhor e mais fiel discípulo!”; “- Como? Como pode alguém que nem vive no Ashrama ser melhor do que eu?”, retrucou o devoto. O Senhor Krishna respondeu: “- Meu pequeno, enquanto você se preocupava em não derramar nenhuma gota de água da tigela, desde cedo pela manhã, aquele pobre aldeão agradeceu a Mim pelo dia que iniciava. Depois, ao meio dia, na hora de comer a sua pequena e pobre porção de arroz, ele ofereceu-a a Mim e agradeceu por ter o que comer. Depois, quando terminou o seu dia de trabalho árduo, e sentou-se na cama antes de dormir, agradeceu-Me pelo dia que havia passado. Enquanto ele lembrou-se de Mim três vezes, você estava muito preocupado em não derramar a água da tigela, de tal modo que nenhuma vez você se lembrou de MIM!”.

Assim, o discípulo ficou envergonhado de ver que estava apenas de preocupando com a forma, e não com o conteúdo. Com a lição de Krishna, ele aprendeu que na simplicidade do amor por Deus está a grandeza, e não na preocupação externa e aparente, e que todos os devotos do Senhor, não importando a situação econômica e social, são benqueridos por Ele.

Todos os exemplos que vimos e observamos nestas passagens, dizem que a essência é o mais importante, e que a associação com os devotos, nas duas diferentes posições e condições, diferentes linhagens e pensamentos, é o que há de mais importante e dignificante. Cada um deverá respeitar a posição do outro, e ajudar o outro a servir a Deus na forma como lhe é mais favorável. Tudo o mais será simples aparência. Enquanto cuidarmos do Ser, tudo o mais será cuidado.

Hari Hara Om Tat Sat

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tormentosa Saudade

Tormentosa Saudade

Swami Krsnapriyananda Saraswati







o mundo é assim,
gigantesco tempo vazio,
onde uma pequena fração da vida,
é um finito sem fim.

quem não sabe não entende
que a liberdade é como flor,
frágil, linda perfumada
beleza, que efêmera se faz
com amor;

ninguém pode imaginar-se
sem ela?
ainda que seja assim
tão singela?

eu nem Te vi de perto,
mas nem preciso,
o perto é questão de tempo,
uma hora aqui,
outra ali...

Te tenho de longe,
mas isso é temporário,
tudo é temporário;
hora aqui, hora ali...

que ânsia é esta por algo tão
distante?
não há nem aqui nem ali!
o que vale é aqui,
neste momento?
Saudades de Ti, ó Krsna
Isso é tormento!

Deus segundo o Sanatana Dharma

Deus segundo o Sanatana Dharma

Swami Krsnapriyananda Saraswati

SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA

Porto Alegre, RS
2008-2010


Mahavishu, Brahman personificado na Sua forma de conservador

Deus no Sanatana Dharma
Deus tem muitos nomes e formas; Ele é onipresente, então, Ele está presente em tudo e em todos. Ele é onisciente, portanto, Ele está na consciência de todos. Também, Ele é onipotente, logo, tudo é Ele. Ele é tão fixo na sua variedade que é como as estações e suas alternâncias; Ele é como as plantações: tempo de arear, semear e colher. Por isso Ele é Brahmaa, a semeadura; Vishnu, a colheita e armazenamento, e Siva, as queimadas, o renovar da terra. Ele é mãe, pai e filho; Ele é Devi ou a deusa criadora, bem como é Mara, a morte, e Maya, a ilusão.

Deus está tanto numa pedra como numa borboleta; na mais diminuta célula viva, e em toda as partes. Tudo é Deus, Deus está em tudo; Ele é tanto imanente como transcendente; tanto com forma como sem forma; tanto manifesto como imanifesto. Desta maneira, há tão somente Deus e Deus somente. No Sanatana Dharma toda a ação (Karma), tem em vista tão somente realizar Isso que é Ele.

Todos somos germinalmente tais quais Ele: Tat Tvam Asi; Maya ou apego ao temporário e ilusório faz a entidade viva perder a consciência do Supremo. No mundo material, todos vivem na ilusão da eternidade da matéria. A identificação com o corpo, forma a idéia que diferencia, “eu” d’ Ele. Maya é este poder ilusório que dá nuances de verdade para o que não é verdadeiro. O mundo é uma aparência, um mero arremedo da Verdade. Não há diferenças entre a Verdade e o Supremo. Deus é o Uno do qual tudo se origina. Ele não tem começo nem fim, e É sem segundo. Ele tem muitos nomes como Krishna, Siva, Mahadeva, Devi (Seu aspecto original feminino, criador); Ele é Ganesha, Skanda, Rama, Kartikeya; Ele é Kali (outro aspecto feminino), assim como Durga. São tantos os nomes e formas que Deus tem, que não se pode dizer todas numa vida. Porque tudo é Deus, logo, sendo Ele onipresente, onipotente, onisciente, está em qualquer lugar, podendo tudo, tendo consciência de Tudo. Ele é tudo.

Nem mesmo o mero cair de uma folha numa árvore distante passa despercebido por Ele. Ele é o controlador original, Vishnu. Ele é o criador de todas as entidades vivas, ou Brahmaa; Ele é o destruidor de tudo, que a tudo renova na Sua forma devastadora de Siva Nataraja. Tudo é Deus; Deus está em tudo. Tudo é Brahman!

A visão do Sanatana Dharma é pananteísta ou panteísta, ou seja, Deus está em tudo, e tudo é Deus. Mas no Sanatana Dharma não há politeísmo (muitos deuses), porque Deus é um só o Uno. Ele tem muitos nomes e muitas formas, mas é tão somente Um. Assim como “humanidade” é todo o conjunto de seres humanos, distintos em formas, cores, culturas, etc., assim, também, Deus é uno na Sua diversidade. Do mesmo modo como há “muitas virgem-marias” no Catolicismo, por exemplo, com muitos nomes e muitas formas, com vestes distintas, etc., assim, também, Deus e Suas representações no Sanatana Dharma é variado; mas suas representações são tão somente manifestações de uma mesma coisa.

A Unidade de Deus

Sri Krsna mostra Suas múltiplas formas

 A principal afirmação da unidade de Deus é a Sua imensa diversidade, porque o Seu passatempo preferido é a diversidade. Assim como um jardim de uma só flor é monótono, sendo lindo quando tendo muitas flores diferentes, do mesmo modo, a multiplicidade de nomes e formas de Deus dá todo o colorido da onipresença de Deus. Assim como somos todos iguais por nossas diferenças, assim, também, Deus é uno da Sua diversidade. Compreender Deus na totalidade e unidade de Sua multiplicidade de nomes e formas é compreender a Unidade do Absoluto. Do mesmo modo como o barro molda vasos, copos, potes, estátuas, etc. etc, a unidade de todas as formas está na essência, ou seja, no barro. Deus é a unidade de tudo. A ilusão de dentro e fora de um vaso se desfaz quando ele se quebra. Desta forma, a ilusão de nomes e formas se desfaz quando há Viveka, ou seja, o discernimento entre o que é temporário, ilusório, passageiro e transeunte e o que é permanente na Sua multiplicidade e unidade. Viveka é saber discernir o que é eterno e permanente daquilo que é variado, temporário e passageiro. Viveka é saber discernir que o Verdadeiro e Sempre existente é o Ser ou Atma, aquilo que dá diferentes formas à matéria, mas que permanece inalterado por ela. O Brahman ou Absoluto é a origem meio e fim de tudo. Ele é tão somente o que de fato existe. Ele se fragmenta em diversos corpos, nomes e formas, mas é tão somente Ele, em diferentes graus de consciência que existe. Somos puro Atma: Tat Twam Asi: somos tais quais Ele, apenas se está corporificado num corpo temporário devido ao desejo pessoal de desfrutar-se dos sentidos grosseiros. Tão logo a falsa idéia do mundo material se desfaz diante do Absoluto e Eterno Brahman, então a entidade viva deseja por união permanente com o que ela realmente é, ou seja, puro Brahman: “Aham Brahmasmi”, afirmam os praticantes do Vedanta: Brahman é o que sou! Tão somente há Brahman.

Deus é uno e tudo é Deus. Há tão somente Deus e Deus somente. Toda a vida material é um aspecto ilusório ou externo, temporário, transitório, enquanto Brahman é a realidade última, única e eterna, que “está sempre sendo”. Sua finalidade é “sempre ser”. O Ser ou Atma é Brahman. O que chamamos “alma” é tão somente Atma, a unidade fundamental do Supremo. Alma é o que somos, logo, tão somente somos Brahman, porque tudo é Brahman.

Adoração ao ídolo
Adoração a Durga Devi (foto cortesia LIFE)
No Bhagavad-gita, canto 12.1, Arjuna pergunta para Sri Krsna, “qual entre os devotos é o mais versado na ciência do Yoga (busca da união ou Samadhi com o Supremo), os que te adoram no aspecto manifesto ou os que te adoram no aspecto imanifesto?”. Manifesto e imanifesto, as vezes são chamados de “personificado” ou “pessoal”, ou então “despersonificado” ou “impessoal”, respectivamente. Então, o Senhor Krishna responde que tanto um como o outro devoto pode ser bem versado na ciência do Samadhi, contudo, aqueles que O adoram no aspecto imanifesto ou impessoal têm mais dificuldade de atingi-lO. Por que isso? Porque concentrar-se numa forma, com atributos, passatempos, parafernálias, etc., é mais fácil para nós, porque estamos acostumados ao mundo com sua multiplicidade de nomes e formas. Com o passar do tempo, com o desenvolvimento de Viveka, vai-se atingindo a compreensão da unidade de tudo e de todos. Passo a passo, o devoto vai se desapegando do mundo, ou melhor, dos resultados das ações ou Karma, como se ele fosse o controlador de algo. Como está no Bhagavad-gita, 12.12, “o conhecimento é melhor do que a mera prática; mas a meditação é melhor do que o conhecimento, contudo, a renúncia ou Tyaga é melhor do que a meditação, porque a paz advém imediatamente para aquele que renuncia”. Mas renuncia ao que? Ao desejo de desfrutar dos frutos do Karma ou do trabalho. Eis porque o devoto vai aos poucos se desapegando, de achar-se ele como sendo o causador das coisas. A mera luta por um desfrute do resultado do trabalho é a causa do sofrimento “porque podemos controlar apenas nossas ações mas não as reações”; o arqueiro tem o controle da flecha até que a atira; tão logo a flecha sai do arco, o seu destino está lançado; não sabe mais o arqueiro – apesar de desejar - se ele irá alcançar o alvo. Portanto, quem renuncia o fruto do resultado alcança a paz da realização, porque tudo é feito tão somente para agradar ao Supremo.

Sri Krsna, ao longo do décimo segundo canto do B.Gita, comenta em detalhes as várias técnicas que o devoto ou pretendente à liberação deverá dedicar-se para obtê-la. A liberação do mundo material trata-se de livrar-se do Samsara, ou retorno ao mundo material devido à própria vontade do agente (Purusa ou Jiva) em querer desfrutar.

Adorar ao ídolo no templo; oferecer incenso, luz de ghi (manteiga clarificada), água, flores, frutos e alimentos é uma maneira de colocar os sentidos grosseiros para cheirar, ver, sentir, etc., tão somente os atributos da Deidade. O som da campainha detém o sentido da audição; o incenso, do olfato; a lâmpada de ghi, a visão, o bater de palmas no Kirtana, o tato, etc. Então, o devoto mantém todos os seus sentidos para tão somente adorar e glorificar o Supremo, Este razão de tudo.

Cada um deve procurar o Abhyasa ou técnica – método, sistema, etc., - que seja mais adequado para si próprio. Uns têm melhor desenvolvimento nos aspectos pessoais (a grande maioria), uns poucos no aspecto impessoal, Absoluto imanifesto de Brahman, mas com maiores dificuldades.

Em cada casa há um templo. Cada casa é, de fato, um pequeno Vaikunta ou mundo espiritual. Ela é consagrada ao ídolo, Deidade ou Murti do lar. A manutenção da chama ou Dip é feita pela mulher; ela toma conta de manter a tradição acesa. O fogo representa a vida, a criação, a renovação. Um dia por ano acendem-se muitas lamparinas, é o Dipawali, ou dia das lâmpadas. É o dia do perdão “hindu”. É o dia de dar roupas novas, presentear, perdoar aos ofensores, bem como é o início do Ano Novo. Este festival dá-se geralmente em meados de Novembro (no Ocidente é chamado de “dia das bruxas” - Halloween). Mas diferente da comemoração Ocidental, na Índia acende-se carreiras de luzes; iluminam-se as casas para receber Laksmi, a “deusa da fortuna”, a consorte do Senhor Vishnu. 

Assim, em cada lar do Vaidika Dharmi (seguidor do Dharma, segundo os Vedas), há um templo consagrado ao Senhor ou Senhora Suprema com uma ou mais formas de imagens, ou quadros, ou mesmo uma pedra. Deus é onipresente, então está até mesmo num grão de arroz. A vida é levada como num lugar sagrado. A casa é o santuário da vida, então nem mesmo se deve usar sapato dentro de casa. Regras simples, mas que tornam o dia dia do devoto um ato sagrado, mesmo naquelas coisas mais triviais e comuns.

O mundo
O planeta Terra é considerado um Patala de quinta grandeza, ou seja, um pequeno mundo infernal. Apesar de o termo nos remeter aos aspectos do entendimento Ocidental, “infernal” aqui aparece no seu sentido literal, ou seja, inferior, abaixo do Mundo Espiritual. Há planetas infernais e planetas celestes. As diferenças estão nos níveis de desfrutes possíveis. Há planetas infernais que possuem cinco vezes mais desfrutes que o planeta Terra. Há planetas celestes que estão muito acima em qualidade de vida material que qualquer outro, mas, em todos os casos, a alma corporificada deverá voltar a esta pequena Terra, considerada como estando no centro de Meru (a coluna do cosmos), e então alcançar a liberação. Enquanto não alcança-la, deverá voltar tantas vezes quantas forem necessárias para alcançar a liberação do Samsara. Este mundo material é, ao mesmo tempo, infernal e celeste. Mesmo os semideuses almejam nascer aqui. Porque aqui é que está a liberação do Samsara. Imagine-se que tão somente agir de tal maneira como um instrumento nas mãos do Supremo é possível alcançar a liberação do Samsara? Em nenhum outro local do universo isso é possível, segundo as Escrituras.

Bhumidevi na forma humana
Quando o Senhor Krsna, o Vishnu corporificado na forma do Dharma, vem para restabelecer a ordem ou Dharma, então tudo se santifica. O mundo recebe os pés de lótus de Deus, então o mundo é, também, santificado. Logo, este mundo é um mundo celeste, divinizado, inteiramente purificado pelo Senhor e Sua misericórdia sem causa ou desmotivada. Apenas por Sua imensa compaixão e misericórdia o Senhor nos dá a Sua bênção de vir aqui e nos ajudar em nossas loucuras.

O mundo é desprovido de bem e mal. Quem ainda se deixa levar pelos pares de opostos,  certamente, não compreendeu a natureza perene e uma do Brahman. Os pares de opostos são possíveis porque há as idéias de “eu” e “meu”, tão logo elas se desmancham, diante da evidencia do Viveka, então o mundo passa a ser visto como um Lila ou passatempo do Senhor. Aqui é um palco para Seu deleite; somos instrumentos do Seu prazer, segundo Sua vontade. Erroneamente a alma corporificada identifica-se com o fruto do desfrute; se esquece do seu caráter temporário e passageiro, e age como se fosse eterna. A confusão se dá porque a alma é, de fato, eterna, mas o corpo não. Apesar de o corpo nascer, envelhecer e morrer, o agente ou quem lhe dá movimento é eterno, sempre existente, nunca nascido, e que jamais morre. Não há “criação” da alma; ela é eterna, incorruptível, não pode ser molhada, secada pelo fogo ou pelo vento; ela é eterna. O mundo é criação da vontade do Senhor, enquanto sonha no Seu sono cósmico. A criação vem e vai. Há uma criação e destruição eternas. São partes do processo material que está sujeito aos pares de opostos. O mundo material é a natureza externa do Supremo ou de Brahman; é um passatempo, um Lila Seu; não é real enquanto comparado com a eternidade do Atma, mas é temporário, passageiro, transeunte, sujeito à corrupção de categorias tão primitivas como tempo e espaço.

Eternidade do Brahman.
A criação, manutenção e destruição do Universo é eterna. Dois aspectos, e duas categorias, pertencem à filosofia do Sanatana Dharmae buscam perguntar pela eternidade do Brahman. O aspecto fixo e imutável, e o aspecto dinâmico e mutável; a categoria dual e a não-dual. Comparando à Metafísica de Parmênides, o Ser é eterno, sempre existente, ataráxico, motor-imóvel, sempre a mesma coisa. Assim alguns poucos vêem o Brahman. Isso mais se deve às influencias da filosofia grega da Anatólia do que a filosofia Dialética do antigo continente Airyano (ariano), da Pérsia conquistada por Alexandre Magno, o príncipe grego que tanto influenciou os continentes. Mas a filosofia original do Sanatana Dharma é dialética, onde então o Ser é dinâmico, estando constantemente mutando... nada do que foi será novamente.. tudo muda.. nada é o mesmo. Esta visão está bem próxima daquela do grego Heráclito, onde este dizia que nem mesmo podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, porque não será a mesma água nem o mesmo rio.. tudo está mudando. Esta filosofia está presente há milênios entre os defensores do Tantra, a filosofia de Vasugupta, o filosofo do Siva Sutras ou textos auspiciosos sobre o Ser, onde Ser e consciência são unos: Cheitanya Atmah, ou seja, a consciência é o Atma.

Deus, muitos nomes, muitas formas
A categoria não-dual da filosofia chama-se Advaita, enquanto que a dual é chamada de Dvaita. Esta, é mais recente, porém depende muito da filosofia metafísica, ataráxica, nos moldes de Parmênides. Originalmente, toda a filosofia dos Vedas é não-dual, porque há tão somente o Brahman, e a idéia de individuo é ingênua. Não há uma alma individual e outra Suprema, há tão somente uma e única alma chamada Brahman. Mas os dualistas ou Dvaita defendem que há uma alma individual diferente em qualidade da alma Suprema, e esta, no mais das vezes, somente pode ser serva da Suprema, nunca unir-se a Ela. Diferente da filosofia não-dual, que defende a unidade do Brahman, o dualismo crê que o individuo pode tão somente contemplar o Supremo, mas o não-dualismo ou Advaita diz o contrário, que na dissolução do “eu” e “meu” e onde está a liberação do Samsara, porque qualquer que seja o resquício de “mim” trará, de algum modo, a corporificação no mundo material, eternizando o Samsara ou retorno, muitas vezes chamado de “reencarnação”.

Brahman é eterno, e sua eternidade está presente no “sempre sendo”, mas de forma dinâmica, mutável, sendo eterno na sua mutabilidade; sendo Uno na Sua diversidade. Compreender o Uno no dinamismo do Ser é compreender tais quais muitos defendem na Teoria Quântica. Contudo, neste ainda há o átomo, ou unidade da matéria, mas, na visão védica, a matéria é tão somente uma ilusão, um agregado da vontade do Supremo. Não há átomos, nem partículas, tão somente a vontade do Supremo em querer fazer a diversidade a partir de Si mesmo, do mesmo modo como vasos, potes, ânforas, etc., são feitos de barro, tendo este elemento comum na sua “formação”. São ilusórias, portanto, as idéias de “dentro”, “fora”, “vaso”, “copo”, etc., porque tudo volta a sua “matéria” original tão logo é destruído enquanto forma. Forma é ilusão; diferentes moldagens de uma mesma e única matéria: a vontade do Supremo.


Om Hari Hara OM Tat Sat

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dipavali - Diwali

Dipali - Diwali

Swami Chidananda Saraswati

© Tradução para o Português de
 
Swami Krsnapriyananda Saraswati

SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA

Porto Alegre, RS

2005-2010

Mandala decorado com centenas de dipas

1. Introdução
Dear Divine Souls Swami Krishnapriyananda Maharaj, eu espero que, pela graça de Deus, esta o encontre e todos os seus queridos, na melhor saúde e felicidade divina. Como o sr. sabe, a época de Diwali é uma das mais festivas e lindas do ano. "Diwali", literalmente, significa "carreira de luzes". É uma época que se enche de luz e amor; uma época quando os indianos, ao redor do mundo, alegram-se. Diwali é celebrada na passagem do 13/14 dia da lua escura, em Kartik (Outubro-Novembro), sendo conhecido como Krishna Chaturdashi. É nesta noite, de um período de escuridão, que se realiza o festival de luzes! Diwali é proclamado como sendo um triunfo do bem por sobre o mal.

Os significados de Diwali, bem como seus símbolos e rituais, e as razões da sua celebração são inumeráveis. Diwali, celebra a glória do Senhor Rama, da Sua muito esperada voltra para Seu reino em Ayodhya, após ter ficado no exílio por longos 14 anos. Também, comemora-se a vitória do Senhor Krishna sobre o demônio Narakaasura, que seqüestrado e aterrorizado as Gopis de Vrindavana. Quando, finalmente, o demônio Naraka foi morto por Bhagavam, Sri Krishna e Satyabhaama, ele implorou por misericórdia, diante desta súplica, foi declarado que a sua morte seria celebrada com grande alegria e festividade. Também, comemora-se o dia do casamento de Bhagavan Vishnu com Maha Lakshmi.

Diwali também está associada com a história da queda de Bali, um rei demônio que foi derrotado por Vishnu. O Senhor Vishnu apareceu para o rei Bali na forma de um anão, e pediu para ele três passos de terra. O maldoso e egoísta Bali concedeu para o anão este magro pedaço de terra. Repentinamente, o Senhor Vishnu tomou Seu grande tamanho, e colocou um pé sobre a Terra, outro no céu, e um terceiro por sobre a cabeça do maldoso Bali.

Via de rega, Diwali significa o triunfo do bem por sobre o mal; da retidão por sobre a injustiça; a verdade por sobre a falsidade, e a luz por sobre a escuridão. Adicionalmente, Diwali é uma época na qual nós oferecemos nossas preces para Maha Lakshmi, e a adoramos com grande devoção. Maha Lakshmi é a deusa da riqueza e da prosperidade, que concede abundância por sobre os devotos.

Diwali é um feriado de alegria; é uma época quando nós reunimos o amor dos outros, celebrando com as famílias, nossos amigos, e com a prosperidade de Deus abençoando a todos nós. Mas também está sendo muito mal interpretado, especialmente no Ocidente. Temos ouvido falar que no Ocidente as pessoas se referem ao Diwali como sendo o "Natal dos indianos", e que é uma celebração fútil e decadente. Mas deixe-nos falar sobre o que, realmente, o Diwali significa; sobre por que é celebrado, e por que adoramos a deusa Lakshmi neste dia.

2. Celebração de Luz
Fileira de luzes
Existem três aspectos importantes que são comemorados no dia de Diwali. O primeiro, é a celebração da luz; as casas e as ruas são decoradas com lanternas; fogos de artifício são jogados; as crianças brincam com bombinhas. Mas isso não quer dizer que Diwali é um festival de luz com o objetivo de acender velas, largar fogos e foguetes. De fato, é uma forma de expressar nossa alegria neste dia. Este dia tem o significado de iluminar e dissipar a escuridão de nossa ignorância; é um festival de luzes que nos mostra o caminho da nossa jornada na vida. O propósito não é adorar a luz de uma vela, ou a luz de um fogo de artifício. O propósito é glorificar a luz de Deus. É Ele quem nos concede a verdadeira luz, a eterna luz sobre a escuridão da mundaneidade. Uma vela apenas queima. Um fogo de artifício tem seu esplendor numa experiência visual momentânea. Mas, a vela de uma mente tranqüila e o fogo de artifício de um coração cheio de Bhakti, são divinos e eternos; isto é o que deve ser celebrado.

Mas por que decoramos as casas com lanternas? Qual é o simbolismo que está por detrás disso? As lanternas significam a "luzes de Deus", penetrando a ignorância, e livrando-nos das impurezas da vida diária. Elas significam a luz divina, brilhando no caminho do mundo material. Uma casa iluminada com luz, é uma casa onde a dor, a ira, e a ignorância estão sendo dissipadas; é uma casa que está chamando por Deus. Então, as falsas competições que existem, com grandes despesas para comprar mais velas, etc., não tem a luz de Deus, porque perderam-se do significado deste dia santo.

A luz de Diwali deve estar dentro de nós. Ela deverá simbolizar o relacionamento entre Deus e nossas famílias. Este dia não deve ser utilizada para atrair a atenção dos outros para desfilar com coisas para causar a inveja da vizinhança. Deixe-se a luz penetrar no interior, para ter este benefício eterno. Um pedaço de algodão mergulhado no Ghee, deve brilhar como um coração puro, uma mente consciente, e um ardente desejo de libertação da ignorância, e isso brilha muito mais do que 100 luzes da moda.

3. Um novo começo
Diwali, também, marca um novo ano. Para alguns, o dia de Diwali é o ano novo, para outros, é o dia seguinte ao Diwali. Mas é para todos o anunciar do ano novo.

Na alegria desta estação, as pessoas limpam suas casas, seus escritórios, salas, etc., deixando a luz de Diwali entrar em todos os cantos de suas vidas. Então iniciam-se novas agendas, calendários e diários. É um dia de "começar o novo".

Cada peça da casa é limpa; cada cantinho é limpo; os livros e móveis são limpos e aspirados, bem como camas e gabinetes. Mas o que isso tem a ver com o nosso coração? Quando foi a última vez que varremos nosso coração? Quando foi que se esvaziou ele de todos o lixo acumulado no decorrer de nossas vidas?

Esta é a real limpeza que deve ser feita. Este é o verdadeiro significado de "começar o novo". Nós devemos limpar nossos corações, libertando-os da escuridão e amargura; nós devemos nos aperfeiçoar assim como as nossas casas. Há algum lugar escuro e nosso coração que não é visitado há muito tempo? Ou simplesmente "varreu-se a sujeira para debaixo do tapete"? Deus vê tudo e sabe de tudo. Ele sabe o que está por detrás das paredes e de nossos corações, o que está acumulado em cada canto, e o que temos "debaixo do tapete". Devemos de verdade limpar nossos corações; devemos nos libertar da inveja, da dor, da ira, que confundem a nossa habilidade de amar. Devemos esvaziar cada canto escondido, assim, a luz Divina de Deus poderá brilhar em toda a parte.

Adicionalmente, no dia de Diwali, nós começamos um novo talão de cheques; encerrando as contas do ano que passou. Mas e sobre nossa própria folha de balanço? Quando foi a última vez que nós avaliamos nossos "menos" e "mais"; nossas forças e fraquezas, ou as coisas boas e as egoístas? Quanto anos gastamos em invejar, e a dor de não ter feito uma verificação na nossa conta pessoal íntima?

Um bom homem de negócios sempre controla a sua conta: quanto ganhou e quanto gastou. Um bom professor sempre controla o progresso de seus estudantes: quantos estão avançado; quantos estão indo mal? E eles avaliam a si mesmo de forma apropriada: "Eu sou um bom homem de negócios? Eu sou um bom professor?" De modo semelhante, devemos avaliar a conta de nossas vidas. Olhe o ano que passou.Onde ficamos? Quantas pessoas ferimos? Quanto tempo nós doamos, mais do que recebemos? Então, assim como nós verificamos nosso talão de cheques do ano que passou, usando o primeiro cheque para Deus, deixemos todos nossos mais e menos para Ele. Ele é o único responsável por todas nossas boas ações. E as nossas más ações foram devidas a nossa ignorância. Então, deixemos tudo para Ele, colocando nossas forças e fraquezas, vitórias e perdas nos Seus pés sagrados. E então, iniciemos um novo, com um novo livro, inalterado pelo velha inveja e pelo amargor.

4. Maha Lakshmi
O terceiro aspecto, e o mais importante, de Diwali é a adoração de Maha Lakshmi. Maha Lakshmi é a deusa da riqueza e da prosperidade, que concede isso aos Seus devotos. No Diwali, nós oramos por prosperidade a Ela; nós pedimos para que Ela nos respingue Suas bênçãos. Mas, qual é o tipo de prosperidade que nós estamos orando e pedido? Muitos podem pensar que nós presumimos a riqueza como sendo dinheiro, posses, prazeres materiais. Mas isso NÃO a verdadeira riqueza da vida; nem isso é o que nos faz prósperos. Praticamente não há relação entre o dinheiro que nós ganhamos, o número de posses e o sentido de bênção interior e prosperidade.

É apenas a presença de Deus em nossas vidas que nos torna ricos. Olhe-se para a Índia. As pessoas nos pequenos vilarejos, nos centros sagrados, nas antigas cidades, possuem muito pouco em termos de posses materiais. A maioria das pessoas vivem abaixo da linha da pobreza dos ocidentais. Mesmo assim, se você dizer que eles são pobres, eles não irão acreditar, porque na opinião deles eles não são. Isso é porque eles têm Deus no centro de suas vidas. Suas casas, talvez, não tenham TV, mas eles possuem pequenos Mandirs; talvez as crianças não conheçam as palavras do último rock and roll, mas elas sabem as palavras do Aarti; talvez eles não tenham computadores, ou livros textos de histórias, mas eles conhecem as histórias do Ramayana, Mahabharata, e outras histórias sagradas; talvez eles não iniciem o dia com jornais, mas eles começam o dia rezando.

Se você for para um destes vilarejos, talvez os veja como pobreza. mas se você olhar bem de perto, você verá que estas pessoas têm uma luz brilhando em seus olhos, uma face radiante e alegria nos seus corações que o dinheiro não pode comprar.

No Diwali, nós devemos orar para Maha Lakshmi, para a verdadeira bênção de prosperidade caia por sobre nós; a prosperidade que traz luz em nossas vidas e brilho para nossos olhos. Nós devemos orar por abundância na fé, não por dinheiro; nós devemos orar por sucesso na nossa vida espiritual, não para uma promoção de um trabalho; nós devemos orar por amor de Deus, não pelo 'amor" de uma moça bonita ou moço.

5. Lakshmi Devi e a tradição
Há outro ponto sobre Maha Lakshmi que é importante. Nós temos uma tendência que adorar apenas Seus aspectos mais proeminentes, que é a concessão de prosperidade sobre Seus devotos. Porém, Ela é uma deusa multifacetada, cheia de símbolos de grande importância. Como nós A adoramos, vamos nos aprofundar nos Seus aspectos divinos. Primeiro, de acordo com as nossas Escrituras, Ela é a consorte divina de Vishnu. Na tradição Hindu, sempre há um par de opostos - uma manifestação masculina e uma feminina da Divindade -, e eles atuam com regras independentes. É neste sentido que se diz que Maha Lakshmi guarnece o Senhor Vishnu com a riqueza necessária com o objetivo de sustentar a vida. Ele é o sustentador, mas através da riqueza provida por Lakshmi.

Laksmi Kamala e Ganapati
Portanto, no seu elevado significado, Maha Lakshmi provê riqueza para sustentar, não para indulgência. Nossa riqueza material e prosperidade devem apenas nos sustentar, dando-nos o que é necessário para preservar nossas vidas. Todo além disso deverá ser utilizado para as causas humanitárias. Ela não nos dá riquezas para que fiquemos gordos e preguiçosos; apesar de que seja isso que acontece com a riqueza que se recebem sem compartilhar. Devemos, também, lembrar que a riqueza material de Maha Lakshmi é um meio de sustentação e preservação, e não para luxúria e decadência.

Adicionalmente, nós adoramos Maha Lakshmi que é o símbolo divino da pureza e da castidade. Apesar disso, muitas vezes as pessoas celebram-nA, freqüentemente, sendo indulgente na fivolidade e no hedonismo. Como poderemos adorá-lA, enquanto ocupados nas coisas opostas que Ela representa? Nós devemos re/avaliar o modo como prestemos tributos a sagrada Deusa!

O ponto final gostaríamos de mencionar que Ela é tipicamente retratada com vestes vermelhas. O que isso significa? A cor vermelha é a cor da ação, e Ela é a deusa da prosperidade. Isso significa que, para obtermos prosperidade na vida, nós devemos nos engajar em ação. A grande maioria das pessoas pensa que para ser espiritual, ou obter "prosperidade espiritual", devem sentar-se em posição de lótus no Himalaia. Este não é o único caminho. No Bhagavad-Gita, o Senhor Krishna ensina sobre Karma-Yoga, como servir a Deus durante nossas obrigações diárias. Nós devemos nos engajar em atividade, bom serviço; que é o verdadeiro caminho para estar com Ele.

Deixe nosso mundo interior encher-se com devoção a Ele, e deixe que nossa atividade exterior seja plena com trabalho perfeito; ação perfeita. Uma vez eu escutei uma história de um homem que passara 40 anos meditando, e então ele pôde caminhar por sobre a água. Ele pensava que se ele pudesse caminhar por sobre a água, então ele teria alcançado a verdadeira perfeição espiritual. Quando eu escutei esta história, eu pensei "Por que não pagar 40 centavos para cruzar o rio, em vez que passar 40 anos sem dar nada para o mundo?" Este é o verdadeiro propósito da vida.

Então, neste dia sagrado do Diwali, que nossos corações se encham com a luz de Deus. Que nossas mentes e corações tenham um verdadeiro "novo começo". Que nossas orações para Maha Lakshmi sejam para concessão de presentes divinos da fé, pureza e devoção. Com eles, nós iremos sempre ser ricos, sempre prósperos, e sempre plenos. Que celebremos Diwali neste ano como um verdadeiro "dia sagrado", e não apenas como um outro dia de feriado. Que as bênçãos de Maha Laksmi caiam sobre todos, com as verdadeiras bênçãos da riqueza, felicidade, paz, prosperidade e elevação espiritual.

Com amor e bênçãos para você e toda a sua família.

No serviço de Deus e da humanidade,
Swami Chidanand Saraswati