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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Um pouco do básico da Filosofia Védica


Um pouco do básico da Filosofia Védica
dharmasiddhanta” –

Swami Krsnapriyananda Saraswati
prof. Olavo DeSimon

Gita Asrama
2012

Kamadhenu


O Sanatana Dharma ou (ordem eterna), conhecido no Ocidente como “hinduísmo”, possui princípios tenentes ou fundamentais os quais caracterizam o seu ethos, ou modo de ser e agir direcionado aos seus buscadores/seguidores. Uma compreensão ampla do Sanatana Dharma é tê-lo como uma “ciência do agir humano”, o qual é o mesmo em todos os lugares, tempos e circunstâncias, por isso o codinome “sanatana= eterno”. Por sua vez, a filosofia dos Vedas é ampla, e a compreensão dos seus fundamentos é também vasta e difícil. Há seis darshanas ou ‘visões’ mais importantes dentro do seguimento da Teoria do Conhecimento dos Vedas, sendo que o Vedanta é o mais complexo de todos. Não se desmerece nenhum dos darshans como Yoga, Vaiseshika, Nyaya, ou Sankhya, nem o Mimamsa, que é um proto-Vedanta. Porém o Vedanta contém todos os demais aspectos dos dharshanas anteriores, e compreende a essência dos Vedas nos chamados “upanisads”, que são posicionamentos filosóficos muito complexos e elucidativos da forma ontológica da filosofia dos Vedas.

A seguir veremos alguns dos aspectos constantes no Sanatana Dharma, tendo em vista elucidar o leitor desta profunda ciência do agir humano:

1. Purusharthas: buscas na vida
O sério esforço para realizar as metas da retidão é conhecido como o conceito de buscas da vida. As Escrituras prescrevem quatro propósitos ou buscas, a saber: 1) Dharma: reta conduta; 2) Artha: aquisição de “riqueza” através de meios honestos; 3) Kama: desfrute físico e felicidade mental, e 4) Moksha: liberação do oceano de nascimentos e mortes (samsara)

Os Purushartas, inicialmente, eram chamados trivarga, sendo considerados três buscas, e, no período chamado dos Upanishads, o quarto conceito ou Moksa passou então a ocupar lugar entre os aspectos importantes na busca da vida.

Kama ou “desejo”, como a aquisição temporária de um estado de felicidade ou de prazer, é o mais singelo de todos os outros propósitos da vida. O Manusmriti, um antigo Código indiano de leis, diz em 5.56, que a mera tendência da busca da simples satisfação dos sentidos, como saciar o apetite (gula), etc., e a busca de um objeto de prazer, está presente nos animais em geral. Se o homem considerado superior aos outros animais deverá tentar desapegar-se de tais desejos da simples apreensão e controlá-los. Não há como não ter os sentidos, salvo uma tragédia funcional, mas a inteligência e o autocontrole são aspectos possíveis para os seres humanos. O controle dos sentidos está na mente, e não nos objetos dos sentidos ou nos órgãos dos sentidos.

Nitishastra: Pelo ponto de vista ético – nitishastra – o conceito de buscas ou propósitos da vida é muito precioso. Dharma e Moksha não podem ser as únicas metas da vida, e fazem parte de todo um conjunto de propósitos dentro do Sanatana Dharma nos purusharthas. São aspectos que necessitam do suporte da riqueza material, e dos desejos, levados em reta conduta. No Bhagavad-gita, 7.11, Sri Krsna diz que o “desejo o qual não contrário ao dharma é de Sua natureza”. O Apastamba, outro texto importante, no sloka 11.8.7, 22-23, reitera o que é dito no Gita. Os estudiosos das escrituras indianas têm colocado as buscas da vida, como riqueza e desejos, dentro dos aspectos da vida comum das pessoas, dando os fundamentos da vida moral e ética. Também estabelecem uma harmonia nas relações entre os outros aspectos. A liberação final - moksha - é considerada a meta suprema da vida humana. Portanto, a pessoa deverá cumprir com os propósitos da vida dentro de valores morais, como verdade e não agressão (ahimsa), etc. Cada etapa da vida ou Varna asrama, acompanha um determinado cumprimento de dever ético. Assim, um estudante ou brahmacharya deverá cumprir com o seu dever de estudante celibatário; o chefe de família ou grihasta, deverá desfrutar da vida de casado e dividir harmoniosamente o que ganha para com os seus, e os que necessitem. Posteriormente, quando seus filhos estiverem criados, deverá então afastar-se da vida familiar tornando-se um vanaprastha, e posteriormente um sannyasi¸ um monge itinerante.

No Sanatana Dharma, tanto Moksa como Nirvana são sinônimos, e significam “liberação de nascimentos e mortes” ou liberação do samsara. Os Darshanas como Samkya, Yoga e Vedanta, etc., aceitam a palavra “moksa” como liberação, enquanto que visões distintas como Jainistas e Budistas usam a palavra Nirvana como aniquilação. Nirvan (निर्वाण) é derivada da raiz “nir”, significando ausência e “van” com o sentido de desejo ou vontade. Portanto, “nirvana” seria a superação de todos os tipos de desejos e vontades.

2. Ahimsa: não-agressão; a resistência que é contrária ao injusto ou contrária a não-retidão:

É importante compreender ahimsa, que no mais das vezes foi “traduzido” no Ocidente como, “não-violência”, confundindo-o com algum tipo de “pacifismo” sem reações. Mas o ponto chave de ahimsa é a relação entre justiça e injustiça; melhor seria de chamá-lo de "resistência pacífica", conforme defendia Mahatma Gandhi. Injustiça e justiça são conceitos amplos, e variáveis, contudo, ações que são contrárias ao dharma são consideradas injustas. O fato de a resistência contra o injusto ser ahimsa em si mesmo, nos ilustra muito bem se os justos devem ou não punir as pessoas que agem injustamente. A injustiça propositadamente ocasionada pelos outros não apenas causa a nossa infelicidade como o sofrimento de quem a pratica. É por isso que o comportamento injusto deve ser restringido. Se isso não for feito, teremos que suportar uma fração dos seus deméritos, decorrendo do comportamento do injusto. Tanto quanto possível, a conciliação é a ação aconselhada para resolver o conflito de interesses. Se esta não for possível, então o comportamento injusto deve ser punido conforme a lei vigente, considerando-se tempo, lugar e circunstâncias. A punição de uma pessoa injusta não equivale à violência. Um exemplo é alguém invadir a casa ou propriedade de outro; então o uso da força (até mesmo com as próprias mãos) será autorizado pelo Estado ou Governo, caso a pessoa negue-se a sair da ocupação ilegítima. A força as vezes é o único meio de estabelecer a justiça, mas isso não deve ser confundido com violência, que é, por exemplo, seguir agredindo uma pessoa que já está presa sem condições de reagir, etc.

Sri Manudeva
Em todo o caso, o uso da força necessária para restabelecer a justiça não significa no infligir de infelicidade, mas implica em algum dano contra o agente da injustiça. Quando um malfeitor é punido isso não o torna infeliz, mas o torna qualificado para a felicidade que é alcançada por seguir a justiça ou Dharma.

O conceito de não-agressão é claramente entendido quando não há mais confusão entre os termos “violência” e “não-violência”. No Mahabharata há as seguintes passagens:

के न हिंसन्ति जीवान्वै लोकेऽस्मिन् व्दिजसत्तम । 
बहु संचिन्त्य इति वै नास्ति कश्चिदहिंसक: ।। 
अहिंसायां तु निरता यतयो व्दिजसत्तम । 
कुर्वन्त्येव हि हिंसां ते यत्नादल्पतरा भवेत् ।। 
- महाभारत ३.२०८.३३-३४ 


Significado: “Óh! chefe entre os Brahmanas, quem neste mundo não atua em violência? Após pensar por sobre isso por muito tempo, parece que não há ninguém neste mundo que é não-violento. A violência ocorre nas mãos do asceta que de modo ardente se esforça por não-violência. De qualquer forma, o mínimo que eles fazem é o esforço contínuo para preveni-la”. Mahabharata, 3.208.33-34.

A não-violência não é um principio de Justiça, mas sim um mínimo de violência é princípio de justiça. Como no exemplo dado do uso da força, para recuperar a propriedade de alguém, as pessoas do Governo, nos postos os quais estão autorizados a usarem a força para recuperar o que foi ilegitimamente ocupado ou pego, atuam então com um mínimo de violência como parte de seu trabalho, mas isso é chamado dever. No sentido amplo, a violência ou exploração de alguém por outrem, ocorre mesmo no cultivo de uma lavoura, e nos atos do dia a dia é inevitável cometermos algum tipo de agressão. Os textos védicos dizem que este mundo é um mundo de exploração. Não há como, por exemplo, uma pessoa viver sem explorar outro ser vivo. Mesmo que alguém decidisse comer seus próprios dedos, isso não iria durar muito tempo, e cometeria algum tipo de violência contra si mesma. Portanto, ahimsa é um o esforço em atuar de tal modo a causar o mínimo de sofrimento possível, sendo então trilhado um caminho em busca do reto agir de forma permanente nas ações.

3. Adoração ao ídolo
A “religião védica” pura e original não incorpora a adoração a ídolos. Sem dúvida, a manifestação do dharma é destituída de qualquer idolatria, porque tão somente venera o Brahman Supremo, o Uno ou Absoluto, sem nome e sem forma; o Absoluto em Si mesmo, sendo, provavelmente, a mais antiga forma de religião de um Deus único jamais antes existente, e que foi aos poucos sendo incorporada pelas religiões hoje chamadas monoteístas. Aspectos como Indra, Varuna, Soma, etc., eram, na realidade, deidades que dirigiam aspectos dos eventos físicos visíveis, os quais ocorrem aqui e no universo. Mesmo os Vedas possuem versos em louvor a estas deidades das forças da natureza, descrevendo-as com formas humanas. Como os Vedas têm origem no povo Ariano ou Persa, a monolatria (originalmente praticada pelos hebreus, por exemplo), passou aos poucos a fazer parte do "hinduismo". Nos Upanisads, o conceito de parabrahman (Brahmam Supremo) torna-se profundamente enraizado na Sua contemplação (nididhyas), tornando-se o único modo de adoração sem nenhuma outra coisa mais. Com o passar do tempo, principalmente devido ao Tantra, filosofias arianas e não arianas se misturaram, dando então surgimento a “religião hindu” que hoje conhecemos, iniciando-se a adoração ritualística de Deus em diferentes formas. Os hindus aceitam a adoração ritualística do Linga (falo divino) advinda da cultura Sindhu. No entanto, a adoração de ídolos com forma humana deu origem a outras deidades. Para o homem médio, tornou-se difícil a adoração sem forma, e imanifesta (nirguna) do Deus Supremo; portanto, os adoradores da forma manifesta ou saguna, fez-se necessária, tendo então ídolos, tornando-se um caminho de adoração ritualística de deidades. Também encontramos segmentos henoteísmo entre os hindus, principalmente as seitas mais recentes como Hare Krishna e outros, os quais crêem num Deus Supremo, mas aceitando a existência de outros deuses e semideuses que controlam as chuvas, raios, etc. No mais das vezes, o hinduismo dos dias atuais é Monoteísta - só há um único e mesmo Deus, e Monista (unidade da realidade como um todo).

4. Sadhana: diferentes tipos de práticas espirituais
O potencial de cada individuo é variável, então dentro do Sanatana Dharma não é recomendado um único caminho de adoração e de apenas uma única deidade para a grande massa. Também, cada um deverá encontrar seu ishta devata ou forma particular de adoração. Deverá render-se a um guru ou mestre espiritual que lhe dê orientações seguras a partir da sua autorrealização pessoal. Somente pessoas muito realizadas conseguem adorar na forma sem forma. O cap. 12 do Gita inicia com uma pergunta de Arjuna para Krsna questionando quem está mais unido a Verdade, aqueles que se dedicam ao imanifesto, sem forma, ou aqueles que se ligam ao manifesto, com forma. O elo comum entre as duas formas de adoração ao Supremo ou Absoluto é a reta conduta. Também, no Bhagavad-gita 7.21, está dito, “Eu firmo a fé do devoto numa deidade particular, a qual ele deseje adorar com fé”. Desta forma, a difusão da religião hindu circunda todo o vasto universo, porque aceita tudo o que é positivo no caminho do devoto, uma vez que não fira o Dharma.

5. Céu e inferno
Ninguém experimenta os bons ou os maus resultados das ações adquiridos num nascimento em particular do que o próprio nascimento em si mesmo; portanto, o conceito de céu e de inferno (de resultados invisíveis) estão acontecendo aqui e agora com qualquer um incorporado. Não se tratam de nenhuma região em particular, personalizadas em religiões institucionais.

6. Samsara: nascimentos e mortes repetitivos
Os hindus creem que, baseado nas ações realizadas em nascimentos anteriores, uma pessoa pega diferentes tipos de yoni ou ventres. A doutrina do ‘karma’ (ação) diz que alguém está diante do resultado dos méritos e deméritos feitos nestes nascimentos nos nascimentos futuros. De forma semelhante, alguém experimenta felicidade e tristeza neste nascimento, baseado no que foi acumulado (sanchit) em vidas passadas. Ninguém pode escapar dos resultados das ações. Todos os seguimentos dentro da religião hindu aceitam o conceito de que a alma segue através de um ciclo de nascimentos e mortes. A liberação deste ciclo ou do samsara chama-se Moksa. Os caminhos que garantem a liberação de um buscador são o Karmayoga, ou caminho da ação; o Jñanayoga ou caminho do conhecimento, e o Bhaktiyoga, caminho da devoção. Contudo, sem conhecimento ou jñana, por mais que uma pessoa se esforce, seja boa, e faça o bem, não alcança o conhecimento. Por isso é dito que toda a ação, karma, deve ser feita através do conhecimento amoroso (jnana-bhakti) do Supremo.

7. Mukti: a liberação durante a vida incorporada (sadeha mukti)
Uma pessoa pode mergulhar no Absoluto completamente, mesmo enquanto esteja viva. Não é necessário sofrimento ou coisas do gênero para alguém liberar-se. a liberação dá-se através do conhecimento da Verdade Suprema. O buscador deverá realizar que é o puro Atma, ou Ser, (uma alma que está tendo experiência materiais, e não um corpo que possui uma alma), então assim estará liberto, mesmo que esteja num corpo materialmente temporário.

Hari om tat sat

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Do âmago do Gita


Krsnapriyananda Swami
prof. Olavo DeSimon




Aprendi a ver no Bhagavad-gita
Que por detrás das amarras do karma
Dorme o brilho d’alma, que nunca se agita.

Também vi expresso em Suas letras,
Que o amor puro pelo Supremo que somos desata o nó,
Que cobre o espelho da Verdade no pó.

Vida após vida, de idade em idade
Vêm-se mergulhando na falsa esperança
De um dia no mundo alcançar a felicidade.

O segredo por detrás de tudo
Está na ação abnegada
Feita de forma a não desejar qualquer
Resultado ou fruto,

Então, quem se habilita
Largar a tola crendice
Viver de verdade em plenitude
Da juventude à velhice?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Nataraj, a dança de Siva

Subhamoy Das

Tradução e notas de

Swami Krsnapriyananda Saraswati
prof. Olavo DeSimon
Gita Ashrama
2011

Siva Nataraja




Nataraja ou Nataraj, a forma dançante do Senhor Siva, é uma síntese simbólica de um dos mais importantes aspectos do Hinduísmo, e resume o princípio central da religião védica. O termo “nataraj” significa, “rei da dança” (do sânscrito, nata= dança; raj= rei). Nas palavras de Ananda K, Coomaraswamy, Nataraj é a “clara imagem da atividade de Deus na qual qualquer arte ou religião pode sustentar; uma das mais fluidas e energéticas representações de uma figura movendo-se, como a figura de Siva dançando, dificilmente será encontrada em outro lugar” (A Dança de Siva).

A origem da forma Nataraj
Uma extraordinária representação iconográfica, de uma rica e diversa herança cultural da Índia, desenvolveu-se no sul do continente por volta de séc. IX e X, pelos artistas do período Chola (880-1279), numa série de belas esculturas de bronze. Por volta do séc. XII, esta iconografia alcançou a estatura canônica e logo Nataraj Chola tornou-se a expressão suprema da arte hindu.
   
A forma vital e o simbolismo
Numa maravilhosa dinâmica e especial composição, expressando o ritmo e a harmonia da vida, Nataraj mostra com quatro braços, os quais representam os pontos cardiais, a dança, tendo seu pé esquerdo elegantemente erguido, e no seu pé direito prostra-se uma figura – Apasmara Purusha – a personificação da ilusão e da ignorância, sob o qual Siva triunfa. A mão esquerda superior sustenta uma chama, a inferior aponta para o chão onde está o anão, que é mostrado segurando uma serpente. A mão superior direita segura um tambor em forma de ampulheta ou “dumroo”, o qual significa o principio vital masculino/feminino, e a mão inferior mostra o gesto que assinala “seja destemido”.
   
Cobras que simbolizam o egoísmo, são vistas enroladas em seus braços, pernas, e cabelos, os quais estão trançados e adornados com joias. O emaranhado mostra movimento e ele dança num arco de chamas, representando o infindável ciclo de nascimentos e mortes. Sob sua cabeça há um crânio, o qual simboliza a conquista por sobre a morte. Ganga, a deusa do rio com o mesmo nome (Ganges), a epítome do rio sagrado, também senta-se no cabelo de Siva. Seu terceiro olho simboliza a onisciência, percepção e iluminação. Todo o ídolo está por sobre um pedestal de lótus, o qual simboliza a força criativa da natureza.

O significado da dança de Siva
A dança cósmica de Siva é chamada de “anandatandava”, significando a “dança da bem-aventurança”, e simboliza o ciclo cósmico da criação e da destruição, bem como o ritmo diário do nascimento e da morte. A dança é uma alegoria pictórica dos cinco princípios manifestos da energia eterna – criação, destruição, preservação, salvação e ilusão. De acordo com Coomerswamy, a dança de Siva também representa suas cinco atividades, “shrishti” (criação, evolução); “Sthiti” (preservação e suporte); “samhara” (destruição e evolução); “Tirobhava” (ilusão), e “anugraja” (realização, liberação, graça)”.

O temperamento da imagem é paradoxal, reúne tranquilidade interior e, externamente, a atividade de Siva.

Metáfora científica
Fritjop Capra, num artigo chamado “Dança de Siva”, uma visão Hindu da matéria sob a luz da Física Moderna, e mais tarde no Tao da Física, relata belamente a dança Nataraj, relacionando-a com a Física. Ele diz que “cada partícula subatômica não apenas realiza uma dança enérgica, mas também é uma dança enérgica; um processo pulsante da criação e da destruição... sem sim... para os físicos modernos, então a dança de Siva é a dança da matéria subatômica. Como na mitologia Hindu, isso é uma dança contínua de criação e destruição, que envolve todo o cosmos; a base de toda a existência e todo o fenômeno natural”.

Om hari hara om tat Sat

terça-feira, 12 de julho de 2011

Gurupurnima

GURUPURNIMA

 por
 Swami Sivananda

 



© Tradução para o Português de
Swami Krsnapriyananda
prof. Olavo DeSimon

Gītā Āśrama
Porto Alegre, RS - Brasil
2004-2011

           
Sri Vyasadeva Maharishi (fonte da imagem)


O dia de lua cheia no mês de Aśad (Julho-Agosto) é extremamente auspicioso, trata-se do dia sagrado chamado Guru Purnima. Neste dia, sagrado para a memória do grande sábio, Bhagavan Śrī Vyāsa, Sannyasins arranjam-se em algum lugar para estudar e discursar o três vezes abençoado Brahma-sutras, composto por Mahaṛṣi Vyāsa, em engajam-se nos estudos do Vedānta e na investigação filosófica. 

Śrī Vyāsa fez um serviço inesquecível para a humanidade em todos os tempos, pela edição dos quatro Vedas; ter escrito os oito Purānas, o Mahābhārata, e o Śrīmad-Bhāgavatam. Nós apenas temos que reembolsar o profundo débito da nossa gratidão que lhes devemos, pelo constante estudo de Seus trabalhos e prática de Seus ensinamentos, transmitidos especialmente para a regeneração da humanidade, nesta era de ferro ou Kali-yuga. Honrando este personagem divino, todos os aspirantes espirituais e devotos, realizam o Vyāja Pūjā neste dia, e os discípulos adoram seus mestres espirituais. Santos, monges e homens de Deus são honrados e recepcionados com atos de caridade por todos os chefes-de-família, com profunda fé e sinceridade. O chamado período de Chaturmas (“os quatro meses”), inicia neste dia; Sannyasins ficam num só lugar (não peregrinam) durante os quatro meses seguintes de chuvas, engajando-se nos estudos do Brahma-sūtras, e na prática da meditação. Este dia é marcado de profundo significado. Ele evoca a chegada das esperadas chuvas. A água tensa e armazenada nas nuvens, e o tempo quente do verão, agora manifesta-se na abundante chuva que conduzem ao advento do frescor da vida em todo o lugar. Deste modo, todos se colocam seriamente dentro da prática atual e da teoria, e a filosofia que tem sido armazenada neles através do estudo paciente. Os aspirantes começam ou resolvem intensificar com toda a seriedade, corretamente o Sādhana ou prática espiritual, deste dia em diante, gerando novas ondas de espiritualidade. Tudo o que você tiver lido, escutado, visto e estudado transforma-se, através do Sādhana, dentro de uma contínua efusão de amor universal, incessante serviço devocional, e contínua oração e adoração do Senhor que está localizado em todos os seres.

O dia de adoração ao preceptor espiritual é um dia de pura alegria para o aspirante espiritual sincero. Estimulados pela expectativa de oferecer suas respeitosas reverências ao amado Guru, os aspirantes esperam por esta ocasião com ânsia e devoção. É somente o Guru que quebra as cordas que atam e liberam o aspirante das amarras da existência terrestre. Os śrutis dizem: “Para o elevado e sólido aspirante, cuja a devoção ao Senhor é grande, e cuja devoção para seu Guru é grande tal como para o Senhor, os segredos explicados ficam iluminados”. O Guru é Brahman, o Absoluto ou Deus em Si mesmo. Ele guia e inspira você do mais íntimo coração no seu ser. Ele está em todo o lugar. 

Tenha um novo ângulo de visão. Contemple todo o universo como a forma do Guru. Veja as mãos guiantes, a voz despertante, o toque iluminado do Guru em todos os objetos nesta criação. Todo o mundo irá agora surgirá transformado diante da sua mudança de visão. O mundo como o Guru irá desvelar todos os preciosos segredos da vida para você, e conceder sabedoria para você. O Guru supremo, como manifesto na natureza visível, ira ensinar a você a mais valiosa lição da vida. 

Śrī Vyāsadeva Mahāṛṣi  e o "Valmik-ramayan"
Adore diariamente este Guru dos Gurus, o Guru que ensinou o Avadhuta Dattatreya. Dattatreya, via Deus como o Guru dos Gurus; considerava a Natureza como Seu Guru, e aprendeu muitas lições das Suas vinte e quatro criaturas, e por conseguinte, Ele dizia que tinha vinte e quatro Gurus. O silêncio, todo-residente com sua elevada contenção; o comportamento da árvore frutivera com o seu auto-sacrifício; a forte árvore Banya, residindo com paciência dentro da pequena semente; a gota de chuva cuja persistência desgasta até mesmo as rochas; os planetas e as estações com suas metódicas pontualidades, e regularidade, eram os Gurus divinos para Dattatreya. Aqueles que desejarem ver, e escutar, aprenderão.

A Lua brilha pelo reflexo da luz ofuscante do Sol. Esta é a Lua cheia do dia do Purnima, que reflete o seu esplendor, a gloriosa luz do Sol. Isso glorifica o Sol. Purifique-se a si mesmo por intermédio do fogo do serviço abnegado e Sādhana, e como a Lua cheia, refletindo a gloriosa luz do Ser. Torne-se um refletor pleno do esplendor Brahminico, a luz das luzes. Trace a sua meta: “Eu irei ser uma testemunha viva da divindade, o brilhante sol dos sois!”. 

Apenas o Ser Supremo é real. Ele é a alma de todos. Ele tudo em todos. Ele é a essência deste universo. Ele é a unidade que jamais admite a dualidade sob toda as variedade e diversidades da natureza. Vós sois este imortal, todo penetrante, todo bem-aventurado Ser. Vós sois Isso! Realize isto e seja livre.

Lembre das seguintes quatro importantes linhas dos Brahma Sutras:

1. Athatho brahma jijnasaa: Agora, portanto, a investigação do Brahman;
2. Janmasya yathah: do qual tudo se origina;
3. Sastra yonitwat: as Escrituras são o meio do reto-conhecimento;
4. Tat tu samanvayat: para o qual são o principal suporte (do universo). 

Jaya Guru Shiva Guru Hari Guru Ram
Jagad Guru Param Guru Sat Guru Shyam

Cerimônia de gurupuja (padukya)  em Karshni Vanaspati
Para fortificar e afirmar a fé do homem vacilante, e para garantir a atitude que é necessária para a realização de toda a adoração, os antigos mestres definiram a personalidade do Guru. Adorar o Guru é adorar o Supremo. Neste mundo de mortalidade, o Guru é tal qual um embaixador de uma corte estrangeira. Assim como um embaixador represente uma nação inteira, a qual ele pertence, assim, também, o Guru é alguém que está representando o sublime e transcendental estado, o qual ele alcançou. Assim como honramos um embaixador honramos a sua nação, do mesmo modo adorar e oferecer adoração para o Guru visível é verdadeiramente dirigir a adoração e o culto à Realidade Suprema. Assim como uma árvore distante que não podemos ver torna-se conhecida através da flagrância de suas flores que florescem, espalhando-se para todos os lados, assim, também, o Guru é a flor Divina que dissemina o aroma do Atman ou divindade neste mundo, e assim proclama o Senhor imortal, que é invisível para os olhos físicos. Ele está sustentando o testemunho do Ser Supremo; é a contraparte do Senhor sobre a Terra, e através da adoração a Ele se alcança o Ser uno.

No dia do Guru Purnima levante-se as 4 horas da manhã, no Brahmamuurta. Medite nos pés de lótus do seu Guru. Mentalmente ore por Sua Graça, que somente através da qual se pode alcançar a auto-realização. Faça vigoroso Japa e medite, cedo, nas horas da manhã. Após o banho, adore os pés de lótus do seu Guru, ou a Sua imagem ou pintura com flores, frutos, incenso e cânfora. 

Jejue ou tome apenas leite e coma frutas o dia todo. No anoitecer, sente-se com os outros devotos do seu Guru e discuta com eles as glórias dos ensinamentos do seu Guru.

Alternativamente, você pode observar o voto de silêncio, e estudar os livros escritos pelo seu Guru, ou mentalmente refletir sobre os Seus ensinamentos.

Assuma novas decisões neste dia sagrado e trilhe o caminho espiritual de acordo com os preceitos do seu Guru.

À noite, reúna-se novamente com os outros devotos, e cante os Nomes do Senhor e as glórias do seu Guru

A melhor forma de adorar o Guru é seguir os Seus ensinamentos sagrados, para brilhar com a verdadeira incorporação dos Seus ensinamentos, e para propagar a Sua glória e a Sua mensagem.
Om Tat Sat

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Aspiração e Realização

Aspiração e Realização

Swami Sivananda

© Tradução para o Português de
Swami Krsnapriyananda Saraswati
prof. Olavo DeSimon


Pañca Mukha Ganapati
 Apenas boas intenções não realizam. Elas devem estar respaldadas com boas ações. Você deve entrar no caminho espiritual com a melhor intenção de alcançar Atma-jñana, mas a menos que você seja vigilante e diligente, a menos que você faça um intenso e rigoroso Sādhana, a menos que você guarde a você mesmo da luxúria, da ira, da inveja, do egoísmo, e do interesse pessoal, apenas as boas intenções não irão capacitá-lo para alcançar o sucesso.

A pureza moral e a aspiração espiritual são os primeiros passos na procura do caminho. Sem uma forte convicção em valores morais, não há realmente sucesso na vida espiritual no mesmo numa vida de bem.

Austera autodisciplina é absolutamente essencial. Autodisciplina não significa a supressão, mas amansar a brutalidade interior. Isso significa a humanização no animal e espiritualização do humano.

Você deverá quebrar o solo duro antes de plantar a semente. A semente quebra-se por si mesma antes de surgir como uma planta. A destruição precede a construção. Isso é uma lei imutável da natureza. Você deverá destruir a sua natureza bruta antes de desenvolver a natureza divina.

O caminho espiritual é áspero, espinhoso e íngreme. Os espinhos devem ser removidos com paciência e perseverança. Alguns espinhos são internos, e outros são externos. Luxúria, orgulho, fúria, ilusão, vaidade, etc., são espinhos internos. A companhia com pessoas de más inclinações são os piores espinhos externos. Portanto, evite as más companhias. Durante o período de Sādhana, não se misture muito; não fale muito; não caminhe muito; não coma muito; não durma muito. Observe cuidadosamente os cinco “não-faça”. Misturar-se causa perturbações na mente. Falar muito irá causar distração da mente. Caminhar muito irá causar exaustão e fraqueza. Comer muito induzirá em preguiça e sonolência.

Om Tat Sat