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sábado, 18 de junho de 2011

Alguns Princípios do Sanatana-Dharma

Alguns Princípios do
Sanatana-Dharma
“hinduísmo”

Swami Krsnapriyananda Saraswati
prof. Olavo DeSimon

GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS - Brasil
 2006-2011

OM - símbolo gráfico do Absoluto - Brahman

1) Quais as principais doutrinas, crenças ou dogmas do Hinduísmo?
Para o bem da verdade, o Hinduísmo é o nome que os estrangeiros (na maioria europeus) deram ao conjunto de crenças, filosofias, adorações, etc., realizadas pelo povo que vivia no continente conhecido por "Bharata" ou "indiano" (dito pelos estrangeiros com sentido de denegrir os habitantes daquele região, uma vez que a expressão "índio", refere-se a alguém 'indigenius'= sem alma, portanto, com jeito de gente, aparência de gente, mas que não é gente - são considerados "pagãos ignorantes", "sem alma", "sem educação", etc.), e então localizados às margens do rio Indu. O nome correto deste conjunto de crenças, filosofias e adorações chama-se Sanatana-Dharma, o que quer dizer "Ordem ou Dharma (retidão) eterno". Por conseguinte, esta filosofia de vida não possui dogmas de fé, aos moldes das tradições Ocidentais (judaico-cristãs), mas, possui preceitos embasados sobre um conjunto de leis divinas denominadas de Sruti e Smriti, bem como Sastras, especificamente sobre estes últimos aspectos: Artha-sastra; Kama-sastra; Moksha-sastra, e Dharma-sastras, sendo que o principal e mais importante conjunto de "Leis Jurídicas" está no Mana-dharma-sastra, conhecido popularmente como Manu-sastra ou Código de Manu. A retidão, a reta conduta, conduta correta ou ética - Dharma - é o principal ponto do que popularmente chama-se "Hinduísmo". Na verdade, não se pode separar a Ética da "religião" dentro desta filosofia religiosa. Talvez, por isso, seja a Índia a possuidora de um dos menores índices de criminalidade no mundo, apesar da sua imensa população de quase 1.200 milhões de pessoas, e que vivem numa condição econômica considerada muito inferior pelos moldes ocidentais.

Manu Rishi
Apesar do Hinduísmo não possuir dogmas, como nas demais religiões institucionais, que possuem um fundador (uma vez que o Hinduísmo não possui fundador), há um conjunto básico de filosofia ou de regras (mais deônticas do que morais) que norteiam o agir das pessoas. Salienta-se, contudo, que a "religião védica" não é fruto do especular de ideias, nascidas da mente fértil de alguém, mas fundamenta-se no conhecimento realizado. Podemos ver isso, conforme a seguir:

Sanatana-dharma
A) Quatro pilares; B) Três grandes princípios:

A conduta, o modo de agir ou Karma, segundo os preceitos do Hinduísmo está fundamentada em quatro pilares ou conjuntos de regras, a saber: A) quatro pilares: 1) Artha, 2) Dharma, 3) Kama, e 4) Moksha. B) Três grandes princípios: 1) Ahimsa; 2) Karma; 3) Samsara ou reencarnação

A) Quatro pilares: 1) Artha diz respeito ao conjunto de regras que têm por objetivo tratar da riqueza econômica, distribuição de bens e valores, bem como trata com impostos, administração da riqueza do país, etc.; 3) Dharma, constitui a parte religiosa, bem como o exercício do que hoje modernamente chamamos de Direito. Convém salientar, que o Código de Manu, por exemplo, certamente o mais antigo grupo de regras e leis sociais e civis existentes, não está baseado na “Lei de Talião”, processo esse que se difundiu muito no Oriente Médio, sendo aquele princípio, diferente do Manusmriti, a base do Código de Hamurabi. Resultante daquilo, no Código de Manu, não há a ´vingança de sangue´, ou punição indireta de pessoas que possuem alguma relação de parentesco com quem praticou um ato ilícito, etc. A punição ou pena era direcionada para o autor do fato, bem como ele estaria sujeito a indenização pecuniária ou mesmo de propriedade. De modo que penhor, antecipação de tutela, etc., exercícios considerados modernos diante do Direito de hoje, já eram conhecidos e praticados fazem 5.000 (cinco mil) anos antes de Cristo, o que antecipa, pelo menos, em 2.500 anos o Código de Hamurabi, conhecido como uma relíquia dos Diplomas Legais conhecidos no mundo; 3) Kama, que diz respeito a atividade do gozo dos sentidos, ou a parte da arte e da estética. Neste sentido, música, dança, pintura, escultura, ou tudo o que diz respeito ao prazer estético, gustativo, táctil, em geral, está dentro deste conjunto de escrituras ou regras que têm por norma disciplinar as sociedade. Por último, 4) Moksha, trata-se de um conjunto de regras ou escrituras que têm por finalidade promover a liberação do mundo material, ou do Samsara, que se trata do eterno retorno da alma condicionada a este mundo, considerado um mundo de desfrute do gozo dos sentidos, porém de nível mediano, uma vez que a cosmologia védica aceita mundos superiores e inferiores, etc. No grupo de regras e escrituras construídas por sobre o Moksha-dharma, estão grande parte dos textos sobre Yoga, filosofias diversas, sendo que, no mais das vezes, aceitam a autoridade dos Vedas como escrituras fundamentais desveladas diretamente da Suprema Personalidade de Deus a um grupo de sábios ou Rishis através de profunda meditação. Estes livros foram ditados e escritos, posteriormente – devido a longa tradição oral – totalmente na língua sânscrita.

Manusmriti
B) Três grandes princípios: 1) Ahimsa, este princípio é a base para todos os outros, de modo que origina, fundamenta e norteia todo um conjunto de princípios. Ele ficou popularmente conhecido como “não-violência”, devido a notável conduta de Sri Mahatma Gandhi, na ocasião da libertação da Índia do domínio inglês. Contudo, não-violência não se resume apenas em não agredir fisicamente a alguém, mas em tratar a todos da mesma maneira que gostaria de ser tratado. É por isso que se entende a conduta da grande maioria dos indianos no vegetarianismo, uma vez que matar alguma criatura apenas para a satisfação da língua seria um ato de violência que tem suas consequências futuras, ou reação, pelo Karma, que veremos a seguir; 2) Karma; literalmente significa “ação”, ou “trabalho’, significando tudo aquilo que realizamos no mundo. A ideia fundamental é de que não há ação sem reação, uma vez que tudo está interligado na natureza material ou Prakriti. A Prakriti possui seus conjuntos de regras e leis, que de um certo modo os Físicos contemporâneos afirmam de modo muito semelhante. Isso quer dizer que na natureza material tudo funciona como uma espécie de rede ou teia, de modo que não podemos agir num lado sem que o outro responda interativamente, de algum modo, a ação que foi feita. Este é o real sentido de Karma, e que foi muito distorcido na século XIX principalmente protagonizado por grupos apressados em querer juntar as ideias da reencarnação com a do advento central da “Ciência”. Sendo assim, encontramos uma tendência em adaptar as ideias originais do Hinduísmo com as ideias científicas de evolução, etc. Isso resultou num grupo de confusões que afastaram o real sentido do Karma. Devemos compreender de que no mundo material não há como vivermos sem que haja algum tipo de ação. O próprio mundo material é resultado de um conjunto de ações e reações. Há um certo sentido na ação, e qualquer modificação neste sentido, causará os efeitos que conhecemos, por exemplo, com a questão do meio-ambiente. Por fim, temos 3) Samsara ou reencarnação. Apesar de ter ficado mais ou menos popular, a lei da reencarnação ou Samsara não é corretamente conhecida no ocidente. Samsara significa “retorno de acordo com a própria vontade”, de modo que retornamos ao mundo material apenas porque desejamos fazê-lo. Neste sentido, nosso Karma ou ações direcionam nossa vida futura, mas sempre - isso deve ficar claro - voltamos ao mundo material porque desejamos tal retorno. Somos responsáveis pelo nosso destino, na medida em que nos envolvemos com nossas ações. Esta é a verdadeira ciência da reencarnação.

Há todo um outro conjunto de ideias, filosofias, que defendem estas "regras". Hinduísmo trata-se, portanto, de REGRAS ou DHARMAS, e a disposição que temos que ter para segui-las.

Rangoli
2) Citem algumas curiosidades gerais?
O que é curioso no Hinduísmo é o fato de apesar das milhares de formas de adoração a Deidade, todas têm um único e mesmo objetivo, ou seja, Adorar ao Deus único, também chamado de Brahman. Outro fator, é que alguns não aceitam o fato de alguém nascer fora da Índia e ser considerado "Hindu". De um certo modo, eles misturam“ nascimento" ou Jati, com “Bhava" ou fé. Isso se deveu pelo fato de que o domínio dos povos árabes e ocidentais, terem tentado destruir a identidade da fé do continente indiano.

3) Qual a origem do Hinduísmo?
Os Vedas. Como dissemos, o Hinduísmo não possui um fundador, tal como vemos nas religiões como o Cristianismo, Islamismo, Budismo, etc. Segue-se a autoridade dos Vedas, e o autor destes textos sagrados é a própria Personalidade de Deus, em todos os Seus nomes e formas, o que é mal interpretado como sendo politeísmo. Para o bem da verdade, o Hinduísmo possui a crença num único e mesmo Deus UNO, mas manifesta a sua fé em muitos ídolos e passatempos ou Lilas do Senhor, semelhante ao que faz o Catolicismo com Santos, Santa Virgem, etc., mas todos reverenciam a um único e mesmo Deus.

4) Principais ritos e costumes?
Adoração à Deidade; vegetarianismo. Adotar um tipo de vida desapegada do dinheiro e de bens materiais.

5) Obras que fundamentam a religião Hindu?
As obras principais que fundamentam o Hinduísmo podem ser vistas em Escrituras, mas basicamente são os Vedas, os Upanishads, o Ramayana, o Mahabharata e o Bhagavad-gita.

6) Qual a ideia de vida pós-morte?
Moksha ou liberação é alcançada quando a pessoa descobre-se como um ser espiritual, e vive segundo as ordens do Dharma. E isso somente é possível pela dedicação ou Karma realizado ao Supremo, através do serviço devocional ou Bhakti. É importante salientar que uma pessoa não pode seguir o Hinduísmo sem render-se a um Guru ou preceptor espiritual. Enquanto a pessoa desejar retornar ao mundo material, e dele desfrutar, não será liberto e não irá alcançar o mundo espiritual (não confundir com o mundo dos espíritos). O mundo espiritual é a morada do Ser Supremo ou Deus; do puro Atma. Veja-se mais sobre isso lendo o artigo sobre Morte.

Sri Siva, uma das formas do Absoluto
7)Qual a relação da religião com a cultura e sociedade?
A cultura da Índia não existe sem o “Hinduísmo”. É tamanha a identidade entre os dois aspectos, sociais e religiosos, que podemos dizer que o Hinduísmo se trata da vida prática do povo. Ela está visível nos símbolos usados no dia a dia, mesmo nos símbolos oficiais do Governo dos dias de hoje, etc. Allan Watts disse, certa feita, que a vida da Índia é uma filosofia prática, e isso está correto. Não há como dividirmos fé e ação na Índia. As pessoas não vão a um templo para orar, e depois voltam a vida prática com outros propósitos, a vida delas segue como uma oferenda. O Senhor Krishna no Bhagavad-gita, 5.10, disse: “Faça tudo como sendo uma oferenda para Mim ou Brahman(Krishna é Brahman personificado). De certo modo, poderemos fazer tudo como se fosse um ato religioso, tendo em mente que por detrás de tudo está a Vontade Suprema ou Ishvara – Supremo Controlador – sendo que nós somos apenas instrumentos em Suas mãos e Vontade. Quando essa submissão ao Supremo se quebra surgem todos os problemas no mundo material.



Hari Om Tat Sat

Glossário
Ahimsa= princípio da não-agressão.
Artha= administração e riquezas.
Brahman= o Absoluto; realidade única.
Dharma= eticidade; reta ação; dever prescrito
Karma= ação; trabalho. atividade.
Moksha= liberação de nascimentos e mortes; liberação do Samsara.
Rishi= instrutor; sábio realizado; quem vê a Verdade.
Samsara= nascimentos e mortes repetititos.
Sastra= lit. sânsc. "dito; falado"; diz respeito a comentários sobre os shruti.
Shruti= instruções desveladas.
Smriti= instruções comentadas.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Morte


Morte
Segundo o Sanatana Dharma (Hinduísmo)
Com referências no Bhagavad-gita, a obra Sidhanta (resumo perfeito) de todas as Escrituras Védicas.


Swami Krishnapriyananda Saraswati
Olavo DeSimon
Gita Asrama
2011


Yamaraja o Senhor da Morte


A visão de “morte” para um Hindu é muito diferente daquela dos Ocidentais, e de praticantes de religiões como o Judaísmo, Islamismo e Cristianismo, e talvez até mesmo do Jainismo e subseguidores destes como Budismo, etc. De acordo com a filosofia do Sanatana Dharma, apenas o corpo físico é quem morre (na realidade, se degrada devido ao processo natural da natureza material ou Prakriti, de forma constante e cíclica). o Atma, quem verdadeiramente somos, é indestrutível.

De acordo com o pensamento Védico, o Espírito ou alma – Atma – é eterno e indestrutível. A filosofia védica defende que "somos almas espirituais que ocupamos um corpo", e não um corpo que contém uma alma. Eis que no Bhagavad-gita Sri Krishna diz para Arjuna, “O Ser ou alma nunca pode ser cortado em pedaços, por qualquer instrumento, nem tampouco queimado pelo fogo, umedecido pela água ou seco pelo vento” (Bgita, 2.23). Isso porque Sri Krishna já havia dito: “Do mesmo modo como trocamos vestimentas gastas e velhas por roupas novas, uma pessoa apega-se e aceita corporificar-se num corpo novo e diferente, dispensando os corpos velhos e gastos” (Bgita. 2.22).

O Atma é invisível, mas “A morte para quem nasce é um fato certo; outro fato para os mortos é o nascimento. Portanto, do que é inevitável tu não deves lamentar” (Bgita 2.24).

A visão da "reencarnação" da alma - samsara - num outro corpo, é o ponto chave e central no Sanatana Dharma. Então, conforme os Sastras, é possível ocupar-se quaisquer um dos oito milhões e quatrocentos mil corpos de seres vivos no planeta, e mesmo em outros planetas. Exatamente aquilo que a pessoa desejar na hora da morte ela alcançará, isso porque: “Obtém-se tal qual seja o corpo, ó filho de Kunti, como àquele lembrado com determinada convicção na hora de abandonar o atual”. (Bgita, 8.6)

A morte do corpo não amedronta a um devoto do Sanatana Dharma, porque ele sabe e desenvolve a convicção que somente será possível se livrar do ciclo de nascimentos e mortes – Samsara – quando liberar-se dos desejos materiais, e pensar tão somente no Supremo. Para que alguém não nasça mais neste mundo, estando sujeito à nascimento, doença, velhice e morte, deverá almejar o Mundo Espiritual, e isso é conseguido conforme nos orienta Sri Krishna: “Portanto, sempre e em qualquer tempo, lembra-te de Mim e aja, rendendo tua mente e intelecto a Mim; assim irás conseguir vencer; sem dúvida, e, seguramente, alcançar-Me”. (Bgita. 8.7).

Hari Om Tat Sat


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aditya Hridayam


Aditya Hridayam

Swami Kṛṣṇaprīyānanda Saraswatī

prof. Olavo DeSimon


GITA ASHRAMA

Porto Alegre, RS - Brasil
 2006-2011

Sri Rama

OM Namo Bhagave Vasudevaya!
Om hram hreem hroum sah suryaya namah!

Bharata Aditi Hridayam
Vande Mataran! Salve nossa mãe Bharata, Aditi abençoada do coração!


Primeiramente deveremos compreender a ética védica (ou o Dharma) segundo o Sanatana Dharma, para então podermos tecer algum “juízo de valor” sobre os fatos. No mais das vezes, o ocidental comum não está acostumado à Filosofia, e quando alguém levanta algum tipo de questionamento em nome da “filosofia”, este quase sempre está carregado de ideologias, ou crenças pessoas e solipsistas, as quais não permitem enxergar além de idiossincrasias e ou solipsismos. Realmente, não é possível a compreensão do “ethos” de um outro grupo de pessoas, que normalmente são vistos como “estranhos morais”, sem o devido despojamento da ideologia cultural ou vícios culturais em que se está mergulhado e engajado. O pensamento filosófico é universal; contudo, a forma como alguém se aproxima dele é o que diferencia a Filosofia da ideologia. Por conseguinte, julgar de forma apressada a cultura religiosa de alguém, apelidando-a de “politeísmo”, por exemplo, é sem dúvida uma forma de Generalização Apressada, muito comum entre as falácias lógicas. Como poderíamos falar do ritual antropofágico, por exemplo, do ritual cristão de “comer o corpo e beber o sangue” do Senhor, se não estivermos devidamente preparados para compreender a transcendência dele? Também, como pode alguém ver que as inumeráveis formas da “Virgem Maria” trata-se da única e mesma pessoa, a Mãe de Deus? Para alguém que esteja fora do ethos católico, tantas “Santas Marias” parecem conduzir para um “panteísmo virginal”, mas sabemos que se trata de uma única e mesma pessoa. Isso não é diferente no Sanatana Dharma, e a respeito às formas de adorar a Deidade; um culto de unidade na diversidade.

As impressões trazidas pelos estrangeiros, quando viram a religiosidade da Índia - uma forma milenar de se relacionar com Deus sem ter uma instituição que se coloca como autoridade suprema antes de Deus – foram no sentido de pejorá-lA. Basta dizer que a palavra “índia” é um derivado do Latin, “indigenus” (sem alma), e “indígena”, ou seja, local onde ficam seres animais com aparência de gente; cara de gente, jeito de gente, mas são animais sem alma, gentios... Então, nesta visão pejorativa, “índia”, é o local onde ficam estes “animais sem alma”. A partir daí se generaliza que os “animais” não têm Deus, mas deuses; são politeístas; jamais compreenderiam um “deus único”, um deus nascido na concepção machista e centralizadora, sob a autoridade do porta-voz de Deus com nome de “religião”, etc. Mas o povo de Bharata (o nome verdadeiro da Índia) vê Deus em tudo em e em todos, porque somente há Deus e nada mais do que Deus. Tudo o que existe é Deus; bem e mau é faz parte dos pares de opostos da prakriti (natureza material), e na visão do Sanatana Dharma, somente quem vive apegado o mundo material é que não consegue compreender que todas as ações devem ser somente para Deus; que Deus é quem controla tudo, e o desfrutador de todas as coisas. Porque Deus é a única realidade existente, tudo o mais é Maya, mera fantasia, pura mimese.

Pancha Yajña
Sri Skanda
Na época de Sri Adi Sankaracharya, as cinco formas mais freqüentes de adorar a Deus, foram consideradas comuns em todas as partes da Índia, e por isso foram aceitas como Smarta ou “fundamentadas nos Vedas”, a saber: adoração a Surya Deva; a Devi; a Skanda-Ganesha; a Vishnu; e a Siva, e todas as subformas relacionadas a elas, com Seus inumeráveis nomes e aparências. Isso porque na visão ‘panteísta’ (tudo é Deus), tudo são representações da Unidade Suprema. A reverência a Vishvavanam, o Sol, o primeiro a receber as instruções transcendentais de Sri Krishna (considerado um Vishnu avatara), é mantida ao longo dos milênios. Mesmo Sri Krishna jamais negligenciou o Varna e Ashrama, bem como o Dharma Shastra. Essa védica tradição é iniciática, portanto, há todo um conjunto de reverências e ordem de adoração que deve ser seguido o tempo todo.

Etimologia e compreensão do Aditya Hridayam
No étimo sânscrito, Aditya significa “filho de Aditi”, a Divina Mãe; Aditi é a forma feminina primordial de Deus, na qual tudo foi gerado. É o culto a Devi, a forma feminina geradora, conservadora, e transformadora de tudo. Depois, Ela delegou as funções masculinas para Sua tríplice natureza. Na mitologia Airyana, os seres celestiais foram criados por Devi ou Aditi. Eles são seis, a saber: Mitra (o Sol), Varuna, Aryaman, Bhaga, Daksha, Anusha. Mitra é outro nome para Surya ou Savitri, e algumas vezes estes nomes aparecem como sendo distintos uns dos outros. Portanto, Aditya Hridayam é um hino ou cântico associado com o Sol ou Surya Deva; um dos controladores celestes primordiais. A história védica diz que o Mantra Aditya Hridayam foi cantado para Sri Rama por Agastya, antes da batalha com o demônio Ravana. A palavra sânscrita “Hridayam”, quer dizer “no coração”; que está no cerne de tudo. Então, uma tradução literal de Aditya Hridayam nos remete ao primeiro ser luzente criado - ser celeste - para que a vida pudesse ser possível na Terra. Segundo a cosmologia, tudo é emanado do corpo de Brahma, o criador, pela bênção geradora de Aditi, então o Sol, com seu esplendor, com sua fonte de energia de luz e calor, é considerado o centro vital para todos; a fonte de Prana. De fato, não há calor por sobre a Terra que não tenha origem no sol; mesmo o calor de nosso corpo é proveniente do sol, mesmo que seja retirado dos alimentos, uma vez que os vegetais possuem uma especial característica de captar a energia solar e transformá-la em nutrientes.

Aditi Gauri Devi
Por tradição, todos aqueles que estão vinculados ao Sanatana Dharma devem primeiro saudar quem é o governante de uma ação ou região. Pela ética dos Vedas, mesmo um rei deve saudar o comandante de uma ação, inclusive de seu inimigo, ainda que supostamente esteja numa posição inferior a sua no seu reino. O respeito ao Varna e Ashrama, na tradição iniciática védica, é algo muito importante. Sri Rama é Avatara de Vishnu, o Supremo controlador. Ele não precisa de nada, mas mesmo assim seguia a tradição da ética védica e o Dharma Shastra, a forma como alguém deve agir antes de qualquer ato ou ação (Karma). Veja-se que o fato de alguém estar numa plataforma de Shudra, por exemplo, não o torna mais inferior a de um Kshatrya ou de um Brahmana, desde que cada um cumpra com o seu dever. O fato de alguém pertencer a um determinado Varna não o torna superior ou inferior a outro, isso é uma diferença muito grande com a distorcida visão política do atual sistema de castas, e o que o Ocidente pensa sobre isso. A visão dualista ingênua, principalmente a Ocidental, tem dificuldades de entender o fato de o Supremo ser reverente a alguém, isso porque não compreendem o Varna e Ashrama, e o que vem a ser Acharya. Sri Rama é o governante da tradição solar. Ele é um verdadeiro Acharya, ou seja, faz o que ensina, e age de forma exemplar para os outros seguirem e imitarem o que faz. Suryadeva foi quem primeiro recebeu as instruções transcendentais do Senhor Vishnu ou Krishna, no início da humanidade, conforme vemos no verso 4.1, do Srimad Bhagavad Gita, a saber:

Sri bhagavan uvaca:
imam vivasvate yogam proktavan aham avyayam |
vivasvan manave praha manur iksvakave ‘ bravit (Bgita, 4.1)

Sri Bhagavam – Krishna – disse: “Este conhecimento do Yoga Eu instrui a Suryadeva ou Vishvavam; Vishvavam instruiu Manu, e Manu disse-o ao rei Ikshvaku.

Portanto, o histórico episódio de Rama, no Ramayana, recitando a oração para Vivashvam, relembra o fato de Sri Rama estar já fatigado dos acontecimentos, até chegar este momento crítico na luta final com o governador demônio Ravana - o Asura que havia raptado Sita -, tendo planos malignos para dominar a Terra.

É fato que toda a força energética na Terra advém de algum modo do Sol. O fato de Agastya ter orientado Rama a pedir forças para o Sol deve-se de que a estrela celeste, comandada por Surya Deva, localizada no centro do nosso sistema (por isso chamado solar), ser a fonte de toda a vida aqui neste planeta; a origem de todo o Prana ou energia vital, que mantém os corpos vivos e aquecidos durante a sua curta estada no planeta, é o Sol, o senhor soberano, fonte de toda a vitalidade. Então, se deve saudar o controlador celeste Surya Deva, e agradecer a Ele por sua imensa misericórdia em servir ao Supremo com tanta atenção e dedicação irreparável. Mas todos sabem que o sol não é Deus, mas um deva divino.

Sri Agastya Rishi Deva
Aditya Hridayam, recitado pelo Agastya Rishi para Sri Rama, e que Rama recitou em respeito ao Dharma, é um complexo ritual de adoração e respeito ao Brahman Supremo, e somente uma disposição Advaita ou não-dual pode compreender os Seus profundos significados. Aqui não há dualismo nem culto a uma Deidade diferente do Uno. Quem vê a unidade na diversidade, de fato vê a realidade; de outra forma, ilude-se no fenômeno ou em Maya. Passatempos envolvendo o Semideus do Sol se encontram em muitos outros textos. No Srimad Bhagavatam, uma importante obra onde estão os passatempos ou Lilas do Senhor Krishna, no canto 6, é narrado como Indra Deva teve certa feita que realizar o Escudo Narayana Kavaca, invocando Vishvavam, e assim afastar todo o temor e todo o infortúnio para vencer os demônios que estavam escravizando a Terra. Muitas vezes Suryadeva é representado como Vishnu de oito braços, isso porque ele ficou encarregado de iluminar a Terra e fornecer vida para os seres vivos. Surya Deva é um importante Deva que está a serviço do Supremo. Bem aventurado seja Savitri na sua função de dar vida ao Planeta Terra!

O panenteísmo védico
O Sanatana Dharma é panenteísta, ou seja, defende a idéia de que tudo é Deus ou Brahman (não confundir com Brahmaa que é o Guna Avatara Criador do mundo material); tudo emana d´Ele; tudo retorna para Ele. Todas as formas e representação de Deus são apenas Brahman, o Uno que está presente em tudo e em todos. No Bhagavad-gita está dito:

Vidya-vinaya sampanne
Brahmane gavi hastini
Shuni caiba sva-pake ca
Panditah sama darsinah 5.18

Um sábio e culto Pandita, de plena bondade, vê como iguais um brahmana, uma vaca, um elefante, um cachorro e um sem casta.

Ihaiva tairjitah sargo
Yesam samye sthiram manah
Nirdosam hi samam brahma
Tasmad brahmani te sthitah 5.19

Com certeza (aqueles que agem de forma a ver o Brahman em tudo e em todos), conquistam o renascimento nesta vida quem está situado com equanimidade, com a mente sem imperfeições, mas estando situados em Brahman (o Supremo), portanto, eles são como o Brahman.

Surya Deva com sua carruagem celeste
Hridayam está no cerne da tudo, ou seja, no coração. Vishnu é quem está presente no coração de todos. Então, uma tradução literal de Aditya Hridayam nos remete de forma reverente ao primeiro ser luzente criado para que a vida pudesse ser possível na Terra. O Sanatana Dharma segue a tradição de Guru Parampara, portanto, sempre reverenciamos nossos mestres espirituais na ordem de sucessão espiritual. Também, segundo a cosmologia védica, tudo é emanado do corpo de Brahmaa, o criador; então o Sol, com seu esplendor, com sua fonte de energia de luz e calor, é considerado o centro vital para todos, e quem primeiro escutou os sagrados ensinamentos da Verdade Suprema ou Yoga diretamente do Supremo.

Por tradição, todos aqueles que estão vinculados no Sanatana Dharma, devem primeiro saudar ao Guru, depois quem é o governante de uma ação ou região, e assim por diante. Sri Rama é o governante da tradição solar; ele tem a compreensão que o mundo material está sendo regido pelas três qualidades ou Gunas; e sabe que Suryadeva é a fonte de toda a energia aqui na Terra.

O histórico episódio de Rama recitando esta oração relembra o fato de Sri Rama estar já fatigado dos acontecimentos até chegar este momento crítico na luta final com o governador demônio Ravana, que havia raptado Sita. O fato de Agastya ter orientado Rama a pedir forças para o Sol deve-se de que a estrela celeste, localizado no centro do nosso sistema, ser a fonte de toda a vida aqui na Terra; a origem de todo o Prana ou energia vital que mantém os corpos vivos e aquecidos durante a sua curta estada no planeta.

Aditya hridayam, recitado por Agastya para Rama, e que Rama recitou, é um complexo ritual de adoração ao Brahman, e somente uma disposição Advaita ou não-dual pode compreender os Seus profundos significados.

A fato de alguém ser reverente aos controladores celestes, posição que receberam do Supremo para o ritmo cósmico em nada descaracteriza a adoração ao Uno ou Supremo. Brahman é único na Sua diversidade e multiplicidade. Assim como muitos objetos como vasos, potes, copos, xícaras, etc., são feitos do mesmo barro pelo holeiro, assim, também, as múltiplas formas são apenas acidentes de Brahman. Também, se deve compreender o Lila ou passatempos eternos do Senhor, e desta forma poder desenvolver a realização da liberação ou Moksha. A seguir, veremos os 31 versos do Aditya Hridayam Stotra, para melhor compreender o passatempo ocorrido no Ramayana:

Aditya Hridayam Stotram
Sri Rama

--::--:: --

Tato yuddhaparishraantam samare chinmayaa sthitam.
raavanam chaagrato drushtva yuddhaaya samupasthitam.1

Sri Rama, exausto e diante de Ravana, pronto para um novo combate, estava mergulhado em profunda meditação.

Daivataishcha samaagamya drashhtumabhyaagato ranam..
upaagamyaa braviidraama magastyo bhagavaan rishhi.. 2

O sábio Agastya, conhecedor onisciente, e que havia se juntado aos deuses para testemunhar a batalha (entre Rama e Ravana), falou as seguintes palavras para Sri Rama:

Raama Raama mahaabaaho shrnu guhyam sanaatanam .
yena sarvaanariinvatsa samare vijayishhyasi .. 3

Ó Rama, ó fortemente armado Rama, escute este eterno segredo, o qual irá ajudá-lO a destruir todos os Seus inimigos na batalha.

Aaditya hrudayam punyam sarva shatru vinaashanam .
Jayaavaham japennityam akshayyam paramam shivam 4

Este sagrado hino Aditya Hridayam é dedicado a deidade do Sol, e irá resultar na destruição de todos os inimigos, trazendo a você a vitória e eterna bem-aventurança.

Sarvamangalamaangalyam sarvapaapapranaashanam .
Chintaashokaprashamanam aayurvardhanamuttamam .. 5

Este é um hino supremo, e uma garantia para a completa prosperidade; um destruidor das impurezas, ansiedades, angústias, e confere longevidade.

Rashmimantam samudyantam devaasuranamaskritam .
Puujayasva vivasvantam bhaaskaram bhuvaneshvaram.. 6

Adorando-o, como possuidor dos raios, quando está completamente erguido; sendo reverenciado pelos Devas e pelos Asuras, e quem é o Senhor do Universo, pelo qual cuja efulgência ilumina a tudo;

Sarvadevaatmako hyeshha tejasvii rashmibhaavanah .
Eshha devaasuraganaa.nllokaan paati gabhastibhi .. 7

De fato, ele representa a totalidade de todos os seres celestes. Ele é autoluminoso, e a tudo sustenta com seus raios. Ele nutre e energiza os habitantes do todos os mundos e a raça dos Devas e Asuras.

Eshhah brahmaa cha vishhnushcha shivah skandah prajaapati .
Mahendro dhanadah kaalo yamah somo hyapaam patim .. 8

Ele é Brahmaa, Vishnu e Siva, Skanda, Prajapati. Ele é também Mahendra, Kubera, Kala, Yama, Soma e Varuna.

Pitaro vasavah saadhyaa hyashvinau maruto manuh .
Vaayurvanhih prajaapraana ritukartaa prabhaakarah .. 9

Ele é também os Pitaros, Vasus, Sadhyas, Aswini Devas; Maruts, Manu, Vayu, Agni, Prana e, sendo a origem de toda a energia e luz, é quem faz as seis estações.

Aadityah savitaa suuryah khagah puushhaa gabhastimaan .
Suvarnasadrsho bhaanu rvishvaretaa divaakarah .. 10

Ele é filho de Aditi; criadora do universo, inspiradora da ação; ele é o cruzador celeste. Ele é o sustentador, e a iluminação de todas as direções; o brilho de matiz dourado e quem faz o dia.

Haridashvah sahasraarchih saptasaptirmariichimaan..
Timironmathanah shambhustvashhtaa maartandam anshumaan 11

Ele é onipresente, e impregna tudo com seus raios incontáveis. Ele é o poder poder detrás dos sete órgãos; o dissipador da escuridão; o concessor da felicidade e prosperidade; o removedor do infortúnio e o infusor da vida.

Hiranyagarbhah shishirastapano bhaaskaro ravih .
Agnigarbhoaditeh putrah shankha shishiranaashanah 12

Ele é o ser primordial manifesto na trindade. Ele introduz solenemente o dia e é o mestre do Hiranyagarbha; o útero do fogo; filho de Aditi, e possui a imensa e suprema felicidade.

Vyomanaatha stamobhedii rig yajuh saama paaragah .
Ghana vrishhti rapaam mitro vindhya viithii plavangamah .. 13

Ele é o removedor da ignorância. Ele é o senhor do firmamento, o dissipador da escuridão. Ele é o mestre dos Vedas; ele é o amigo das águas que causam chuvas. Ele cruza a montanha Vindya e ostenta o Brahma Nadi.

Aatapii mandalii mrityuh pingalah sarvataapanah .
Kavirvishvo mahaatejaa raktah sarva bhavod hbhavah .. 14

Ele, cuja forma circular é colorida de amarelo, é fortemente absorvida e causa morte. Ele é o destruidor de tudo, e o ser onisciente que sustenta sumamente o universo com sua energia e todas as ações.

Nakshatra grahataaraanaam adhipo vishva bhaavanah .
Tejasaamapi tejasvii dvaadashaatman namostute .. 15

Ele é o senhor das estrelas, planetas e constelações. Ele é a origem de tudo no universo, e a causa do brilho dos seres brilhantes. Saudações a Ti o ser Uno, manifesto nas doze formas do Sol.

Namah puurvaaya giraye pashchimaayaadraye namah .
Jyotirganaanaam pataye dinadhipataye namah .. 16

Saudações as montanhas do Leste e do Oeste; saudações ao senhor dos corpos estelares, e ao senhor do dia.

Jayaaya jayabhadraaya haryashvaaya namo namah .
Namo namah sahasraa.nsha aadityaaya namo namah .. 17

Salve Aditya (filho de Aditi), a quem concede a vitória e prosperidade aos seus seguidores. Saudações a quem possui cavalos dourados, e milhares de raios.

Namah ugraaya viiraaya saarangaaya namo namah .
Namah padma prabodhaaya maartandaaya namo namah .. 18

Saudações ao terrível, ao herói, a quem viaja rápido. Saudações para aquele cujo surgimento faz brotas o lótus; ao aguerrido e onipotente.

Brahmeshaana achyuteshaaya suuryaayaadityavarchase .
Bhaasvate sarvabhakshaaya raudraaya vapushhe namah .. 19

Saudações ao senhor de Brahma, Siva e Achuta; saudações ao poderoso e refulgente Sol, quem é tanto o iluminador e devorador de tudo, e é de forma tão aguerrida como Rudra.

Tamoghnaaya himagnaaya shatrughnaaya amitaatmane .
Kritaghnahanaaya devaaya jyotishhaam pataye namah .. 20

Saudações ao Atma transcendental, quem dissipa a escuridão, ao medo e destrói todos os inimigos. Saudações ao aniquilador do ingrado, e o senhor de todos os corpos celestes.

Tapta chaamiika raabhaaya haraye vishvakarmane .
Namastamo.abhinighnaaya ruchaye lokasaakshine .. 21

Saudações ao senhor brilhante como outro derretido; ao fogo transcendental; ao fogo do conhecimento supremo; ao arquiteto do universo; destruidor da escuridão; saudações novamente a efulgência que é testemunha cósmica.

Naashayatyeshha vai bhuutam tadeva srijati prabhuuH .
Paayatyeshha tapatyeshha varshhatyeshha gabhastibhih .. 22

Saudações ao Senhor quem destrói tudo e cria tudo novamente. Saudações para quem com seus raios consome a água, aquecendo-a, e devolvendo-a na forma de chuva.

Eshha supteshhu jaagarti bhuuteshhu parinishhthitah .
Eshha evaagnihotramcha phalam chaivaagnihotrinaamh .. 23

Saudações ao senhor que é o habitante no interior do coração de todos os seres, mantendo-os despertos quando então dormindo. Ele é tando o fogo do sacrifício como o fruto desfrutado pelos adoradores.

Vedaashcha kratavashchaiva kratuunaam phalameva cha .
Yaani krityaani lokeshhu sarva eshha ravih prabhuh .. 24

De fato, o Sol é o senhor de todas as ações no univeso. Ele é realmente os Vedas; os sacrifícios mencionados n´Eles, e os frutos alcançados na realização dos sacrifícios.

Phala Stuti

Enamaapatsu krichchhreshhu kaantaareshhu bhayeshhu cha.
kiirttayanh purushhah kashchin naavasiidati raaghava .. 25

Raghava, aquele quem recita este hino numa ocasião de perigo; durante uma aflição ou quando se perdeu no deserto, e tendo medo, ele não desistirá, tornando-se bravo.

Puujayasvainamekaagro devadevam jagathpatimh.
Etat.h trigunitam japtvaa yuddheshhu vijayishhyasi .. 26

Raghava, adore este senhor de todos os deuses e do universo um ponto fixo de devocao. Recite este hino três vezes, e você irá vencer na batalha.

Nasminkshane mahaabaaho raavanam tvam vadhishhyasi.
Evamuktavaa tadaa.agastyo jagaamh cha yathaagatamh .. 27

O magnífico soldado, você triunfará sobre Ravana neste exato momento. Tendo dito isso, Agastya retornou ao seu local original. Raghava libertou-se do Seu tormento por ter escutado isso.

Etachchhritvaa mahaatejaa nashhtashoko abhavattadaa.
Dhaarayaamaasa supriito raaghavah prayataatmavaanh .. 28

Ele ficou enormemente agradado e Sua bravura brotou de forma energética e renovada.

Rraavanam prekshya hrushhtaatmaa yuddhaaya samupaagamath.
Sarva yatnena mahataa vadhe tasya dhritoabhavath .. 30

Purificando-Se a Si mesmo, borrifando água três vezes no Seu corpo, Ele ergueu o Seu arco, com Seus braços magníficos. Vendo Ravana vindo para a luta, Ele colocou adiante todo o Seu esforço, com a determinação de destruir o demônio Ravana.

Atha ravi ravadanam nirikshyam raama
Muditamanaah paramam prahrishhyamaanah.
Nishicharapatisa nkshayam viditvaa
Suragan amadhyagato vachastvareti .. 31

Então, sabendo que o senhor dos ladrões da noite (Ravana) estava se aproximando, Aditya (Surya Deva), que estava no centro da assembléia dos deuses, olhou para Rama e exclamou: “Apresse-se!”, com grande deleite. Purificando-Se com água três vezes, Ele tomou Seu arco com Seus braços; vendo Ravana vir para lutar, Ele colocou todas as Suas forças e destruiu Ravana.

Hari Om Tat Sat