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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Você está se tornando um ‘hindu’


Você está se tornando um ‘hindu’

Krsnapriyananda Swami

“A Verdade é una, mas os sábios falam dela por diferentes nomes” Rig Veda
 
Recentemente conversando com minha sobrinha por chat de computador - alguém  que fazia tempo não via -, e  numa pequena conversa pelo Messenger  sobre Ética e Moral, deparei-me com um fato interessante, a grande maioria dos conceitos que ela mantinha, tendo em vista sustentar seus argumentos, eram advindos do Sanatana Dharma, e de modo algum estavam conceituados dentro do tradicional pensamento judaico-cristão, de uma sociedade tradicionalmente classificada como ‘cristã’, (justifica-se a expressão judaico-cristã, porque o cristianismo é uma religião de fundo judeu; seu fundador é judeu, e a terra que os cristãos tem como santa é judia, etc.). Mas sei que ela não segue o ethos ‘hindu’. Até um certo ponto tudo bem, mas o fato é que minha posição pessoal e de estudos do Sanatana Dharma, e envolvimento com minha jovem sobrinha na conversa no chat, sobre estes conceitos, levantou-me a questão: até que ponto somos mais ou menos cristãos no mundo de hoje? Tendo tantas influências na mídia, como no caso dos televangelhismos (sem dúvida uma praga cultural enervante nos canais abertos de T.V., etc.), será que alguém consegue escapar da lavagem cerebral do ‘bombardeio’ cristão? Sim, não desprezo a inteligência de minha sobrinha, sem dúvida é uma estudiosa. Mas se havia visto minha sobrinha antes, fora uma ou duas vezes quando ainda ela era um bebê;  depois o tempo se encarregou de separar 24 ou 25 anos quaisquer contatos com ela. Pensei, ‘minha influência deve ser notável’, mas de fato isso foi apenas uma elucubração do meu pobre egoísmo ingênuo. Então fui atrás de outros jovens não ‘hindus’; ouvi deles coisas bem semelhantes. Palavras como ‘karma’, e ‘reencarnação’, ‘cremação’, por exemplo, encheram as frases ditas por eles. Então pensei, “pode ser então que estamos diante do fenômeno ‘internet’ e as informações em massa que em tempos de era Google se tornaram jargões; não está sendo refletido”. Mas o fato de levar adiante uma pesquisa sobre a decadência do pensamento moral judaico-cristão e o crescimento do pensamento ‘hindu’ ficou martelando na minha cabeça, contudo, tornou-se irrelevante. Isso ficou perdido entre tantos projetos que se iniciam e ficam esperando ser terminados. Surpresa! Hoje recebi um texto via e-mail da IGS International; Sri Ramananda Prasad gentilmente me enviou o texto a seguir, escrito por Lise Miller, uma correspondente da Newsweek Internacional. Faz tempão que fora publicado, mas veio como uma luva para responder minhas dúvidas. Afinal, nem eu nem minha sobrinha estamos alijados do mundo da era Google, mas o assunto é mais interessante do que pensava. Vejamos então, o que nos diz Lise Miller.

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Nós somos todos ‘hindus’ agora
Por
Lisa Miller 

Newsweek
Publicado em 15 de Agosto de 2009 (edição datada do dia 31/08/2009)



A América não é mais uma nação cristã. Fomos, de fato, fundados por cristãos, e conforme o senso de 2008, 76% de nós continuam a identificar-se como cristão (apesar de ser a mais baixa porcentagem na história da América). Certamente, também não somos uma nação ‘hindu’ -  ou muçulmana, judia, ou Wicca. Mais de um milhão de ‘hindus’ vivem nos Estados Unidos, uma pequena fração entre os mais de um bilhão existentes na Terra. Mas uma recente apuração mostra-nos que conceitualmente, de algum modo, estamos nos tornando lentamente mais como ‘hindus’ e menos como cristãos tradicionais, nos modos de pensar em Deus, em nós mesmos, uns nos outros, e na eternidade.


O Rig Veda, a mais antiga escritura ‘hindu’, diz o seguinte: “A Verdade é una, mas os sábios falam dela por diferentes nomes”. Um ‘hindu’ crê que á muitos caminhos para Deus. Jesus é um deles; o Corão outro, e a prática de Yoga, um terceiro. Nenhum é melhor do que outro; todos são iguais. Mas o mais tradicional, é o fato de que cristãos conservadores jamais ensinaram coisas como esta. Eles aprenderam na escola dominical de que a religião deles é a verdade, e que as outras são falsas. Jesus havia dito “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega ao pai exceto através de mim”.

Os americanos não engolem mais isso. Conforme o senso Pew Forum de 2008, 65% de nós crê que “muitas religiões podem conduzir à vida eterna”, incluindo os 37% dos evangélicos, provavelmente o grupo que mais crê na salvação como sendo somente deles. Também, o número de pessoas que veem a verdade espiritual fora da igreja está crescendo. Trinta por cento (30%) dos americanos chamam-se a si próprios de “espirituais e não religiosos”, conforme a apuração da Newsweek em 2009, quando eram 24% em 2005. Sthephen Prothero, professor de religião na Universidade de Boston, enquadrou a propensão americana como “a divina religião deli-cafeteria” (provável analogia com ‘delicatessen’), como “muito mais no espírito do ‘hinduísmo’. Você não pega e escolhe de diferentes religiões, porque elas são as mesmas”, ele diz. “Isso não é respeito a ortodoxia. Isso é cerca qualquer ação. se você faz Yoga, grande! – e se você vai a missa católica, grande!. E se você vai na missa católica, faz Yoga, dá uma fugida no Budismo, isso é grande! também!”

Então vem a questão do que acontece com você quando você morre. Os cristãos, tradicionalmente, creem que seus corpos e almas são sagrados, e que juntos eles englobam o “ser”, que no final dos tempos eles serão reunidos na ressurreição. Você precisa de ambos. Em outras palavras, você necessita do seu corpo eternamente. Mas os ‘hindus’ não creem em coisas assim. Na morte, o corpo é queimado numa pira, enquanto que o espirito – o que realmente somos – escapa. Na reencarnação, central no ‘hinduísmo’, a pessoa retorna sempre à Terra em diferentes corpos. Então, aqui neste aspecto há outro modo no qual os americanos estão se tornando mais ‘hindus’. Vinte e quatro por centro (24%) dos americanos dizem crer em reencarnação, de acordo com o senso Harris Poll de 2008. Como fazem os agnósticos, nós estamos cada vez mais optando pela cremação do corpo, assim como fazem os ‘hindus’. Mais de um terço de os americanos agora escolhem a cremação, conforme a Associação de Cremação Norte-americana e, 2009, onde antes era de apenas 6% em 1975. 


Diana Eck, professora de religião comparativa de Harvard, diz, “Eu penso que o papel espiritual da ressureição tende desacenturar cada vez mais da sua interpretação literal”
Permita-nos todos então dizermos, ‘OM’.


Veja mais artigos (inglês)



Texto original na Página da Newsweek de Lisa Miller

- Lisa MIller é autora do livro "Heaven, our enduring fascination with the afterlive!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Hajar Aswad - o Linga de Mecca

Swami Krsnapriyananda Saraswati
(Olavo DeSimon)
IGS Brasil
2011

Hajar Aswad, vista de frente



Hajar Aswad
Uma das mais antigas tradições religiosas do mundo é, sem dúvida, a veneração ao Siva Linga. Presente na história da humanidade, de tempos imemoriais, no mais das vezes,  o ícone tem o formato de uma pedra cilíndrica, descansando por sobre uma bacia. Lingam tem o significado de ‘marca’, ‘sinal’, e associa-se a Siva, o poder transformador do Absoluto. Este símbolo é adorado em centenas, senão milhares, de templos em toda a Índia, e ao redor de todo o mundo. O Linga é também considerado o símbolo da energia masculina ou o Phalus. No mais das vezes, Siva Linga é representado junto com a Yoni, o símbolo da fertilidade, também chamada de Shakti ou energia criativa feminina. A união de Linga-Yoni representa a indivisibilidade masculina-feminina; o ativo e passivo espaço de tempo de onde a vida se origina. Também é atribuído ao Siva Linga a representação da natureza infinita de Siva, sem começo e sem fim. Siva não se trata de uma pessoa propriamente dita, sendo que está presente na mitologia religiosa de inumeráveis povos antes dos tempos conhecidos como históricos. Sumérios, babilônios, egípcios, hititas, hunas, etc. etc. não necessariamente nesta ordem, adoravam Siva (Sheeva), sendo inclusive um dos meses do calendário hebreu ou judaico dos dias atuais (Sivan, maio-junho). Ao culto ao Linga está presente entre os povos primitivos da América do Sul e do Norte, sendo encontrado ao redor de todo o mundo pré-histórico.

Praça São Pedro, vista aérea.
Nós podemos ver claramente a presença do Siva Linga na Praça São Pedro, no Vaticano, onde fica a cede central da Igreja Católica. O formato da praça na forma de Yoni, tendo no seu centro um Linga na forma de menir, é significativo. Não é necessária imaginação extra para perceber claramente a influência do primitivo culto.

No mundo Islâmico
Kaaba, e onde se encontra Hajar 
Não nos é de estranhar que este símbolo da tradição religiosa universal tão antigo seja objeto de adoração e veneração na Índia. Mas o que dizer deste mesmo símbolo ser adorado pelos Muçulmanos? Mas é o que de fato acontece dentro da Kaaba, local de peregrinação considerado obrigatório, pelo menos uma vez na vida do crente islâmico.

Num dos cantos do santuário, uma pedra preta, chamada al-Hajaru-I-Aswad em arábico, medindo cerca de 20 cm de algura, por 16 de largura, está uma relíquia muçulmana, e que, conforme a tradição islâmica, data dos tempos de Adão e Eva, os primeiros seres criados por Deus. Estudos arqueológicos apontam que a pedra considerada sagrada pelos muçulmanos assinala Kaaba como um local de adoração durante os tempos pré-islâmicos, também chamado de período ‘pagão’. No canto leste, no exterior da Kaaba, a antiga pedra é objeto de veneração pelos muçulmanos. A Kaaba está localizada no centro de uma enorme Mesquita em Mecca. Esta pedra preta é adornada por uma capa de prata, no formato de uma Yoni, sendo que hoje, o então megalito único, originalmente na forma de um cilindro, resulta em sete ou oito fragmentos que estão cimentados dentro da cobertura de prata.

Um visitante suíço, Johann Burckhardt, no ano de 1814, descreve a Harjad Aswad da seguinte maneira: “...é irregular e oval, tendo cerca de sete polegadas de diâmetro, com uma superfície ondulada, composta por cerca de uma dúzia de pedras pequenas, de diferentes tamanhos e formatos, bem unidas por uma pequena quantidade de cimento, e perfeitamente alisado; aparentemente o megalito fora quebrado em tantas peças por um golpe violento, estão agora unidos novamente. É muito difícil determinar acuradamente a qualidade destas pedras, as quais foram usadas pelos toques e beijos de milhões de pessoas. A mim parece ser como uma lava vulcânica, contendo muitas pequenas partículas estranhas substâncias esbranquiçadas e amareladas. Sua cor é agora um profundo marrom avermelhado, aproximando-se do preto. É rodeada por todos os lados por uma borda composta de uma substância a qual eu aproximo do cimento ou piche, e pedras semelhantes, mas não totalmente o mesmo, de tom acastanhado. Esta borda serve de suporte das peças em separado; possuindo de duas a três polegadas de largura, e eleva-se um pouco acima da superfície da pedra. Tanto a borda como a pedra em si mesma estão circuladas por uma banda de prata, mais ampla em baixo do que em cima, e ampla dos dois lados, com uma ampla expansão inferior, como se uma parte da pedra estivesse escondida nela. A parte inferior da borda é ornada com pregos de prata”. (in Thomas Patrick Hughes, A Dictionary of Islam, p. 154. W. H. Allen & Co, 1885.) 

Aspectos geológicos
A natureza do pedra preta de Mecca é bastante debatida. Há sido descrita como uma variedade de basalto, uma peça natural de barro, e mais popularmente como uma pedra meteorito. Esta crença é atribuída a Paul Partsch, o curador da coleção imperial Austro-húngara, onde publicou em 1857 sobre a origem espacial da pedra. Há outras considerações a respeito da natureza geológica da pedra, como o fato de ela ser considerada um tipo de ágata, ou que uma peça de barro tenha sido atingida por um impacto de um meteoro, resultando no que está em Kaaba, etc.

Veneração
Atribui-se ao profeta Maomé a instalação da Hajar no muro de Kaaba. Durante o ritual de Hajj, peregrinação anual a Mecca feita pelos muçulmanos, a Kaaba é circuambulada sete vezes pelo peregrino, conforme o Tawag (tradição), no sentido anti-horário. Muitos dos peregrinos tentam beijar o símbolo onde originalmente estava a pedra deixada pelo profeta fundador do islamismo, simulando o beijo da tradição, onde Maomé beijou a pedra em sinal de veneração. Nos dias atuais, não é mais possível para todos poderem beijar a pedra, sendo que a circuambulação considerada suficiente para o peregrino render seus votos.

Sivalinga visto de cima
Apesar de a fé islâmica não permitir adoração a ídolos, este símbolo sagrado do islamismo é considerado ‘sem-forma’. A crença islâmica proíbe de modo estrito qualquer tipo de idolatria, por isso os muçulmanos creem que Hajar é simplesmente representativo e de natureza simbólica, não estando relacionado à crença na pedra em si mesma, como tendo ela algum poder especial, etc. Certa feita o Califa Umar-al-khattab (580-644), veio beijar a pedra, tendo dito diante de todos: Sem dúvida, eu sei que é uma pedra, e não pode nem prejudicar nem beneficiar ninguém; eu não vi o Mensageiro de Alá (Maomé) beijá-la; eu também não deveria beijá-la?”. O exemplo de Umar é seguido pelos muçulmamos, no sentido de que eles prestam respeito à pedra preta num espírito de fidelidade a Maomé, não acreditando em poderes de uma pedra. Por sua vez, isso não quer dizer que a pedra seja desrespeitada, mas eles creem que prejuízos e benefícios são advindos de Deus (Alá), e não de outra coisa mais. Comentando sobre o fato da existência de um culto pré-islâmico à pedra, Muhammad Labib al-Batanuni, escreveu em 1911, que , “... a prática de venerar pedras (incluindo a pedra preta), surge não devido ao fato de que as pedras são sagradas em sua própria constituição, mas porque se relacionam com alguma coisa sagrada e respeitada”. (Lazarus-Yafeh, Hava, 1981. Some religious aspects of Islam: a collection of articles. Leiden: Brill. pp. 120–124)

Conclusão
Conforme a filosofia Siva Siddhanta, talvez a mais antiga tradição da filosofia sivaista no mundo, o linga é substrato ideal no qual o adorador deve instalar e adorar Sadasiva das cinco faces e dez braços, a forma da divindade Siva, que está além do tempo e do espaço.

Nas enumeráveis manifestações religiosas hoje existentes no mundo se pode ver muito do que há em comum nelas. O critério é o senso crítico comum. Sem nenhuma dúvida, o Siva linga é um culto milenar e se perde nas noites dos tempos. Apesar de todas as tentativas de ocultar um ou outro aspecto do Sanatana Dharma, este estará presente em quase todas as totalidades de manifestação religiosas do mundo.

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- Imagens de Hajar Aswad - Pesquisa do Google
- Imagem aérea da Praça São Pedro, no Vaticano Imagem no site


Referências bibliográficas
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Cópias Religiosas

Krsnapriyananda Swami



O texto a seguir é um bom texto, apesar de não apresentar fontes das informações. Contudo, nos dias atuais, é bem fácil verificar cada um dos textos, personagens e lendas citadas, bastando procurar nos sites de busca. Com certeza, o Google é uma boa opção. Independente das exigências das regras de textos hoje em vigor, apesar de todo o rigorismo que pretendem demonstrar, sabemos que o imperativo categórico da era atual é Ctrl C + Ctrl V, portanto, quase tudo é uma hipocrisia do "faz de conta". Mas o que está aqui é parte de uma história que foi escondida, solapada da grande maioria. Como crer é mais fácil do que investigar a verdade, então compreendemos que o mundo atual é uma mera ficção, de acordo com a vontade de cada um. Se por acaso o leitor achar que o presente texto irá mudar as suas referências com relação as suas crenças, então simplesmente não o leia. Caso deseje criticar o que aqui está escrito, então, por favor, fundamente bem. A história é como um poço, quanto mais cavocamos mais encontramos velhas novidades. Boa leitura, bons sonhos.



"... a crença em um deus redentor, é muito anterior ao judaísmo, e está  sempre ligada à ânsia da necessidade de redenção das tremendas aflições do homem. Quanto a Jesus Cristo, resultou de uma série de mitos, que os hebreus copiaram dos babilônicos, dos egípcios e de outros povos, visando com isto dar consistência ao judaísmo.
Uma representação de Sivalinga.
Estudos filológicos forneceram as bases para o estabelecimento de um traço de união entre as crenças dos deuses orientais e do judaísmo. Tomemos por exemplo, as palavras Ahoura-Mazzda e Jeová, que significam, "o que é". Partindo de velhas lendas orientais, e baseando-se na origem comum da palavra, foi compilado o Livro do Gênese, numa tentativa de explicar a criação do mundo. Segundo o Zend-Avesta, o Ser Eterno criou o céu e a terra, o sol a lua, as estrelas, tudo em seis períodos, aparecendo o homem por último. O descanso foi posto no sétimo dia.


Na mitologia dos Vedas, Manu (o progenitor moral da humanidade (de humano, sânsc. huh= em conformidade = manu= Manu = "conforme manu"; conforme os Vedas) havia ensinado muito antes, que no começo tudo eram trevas, quando Brahma dispersou-as, criou e movimentou a água, em seguida produziu os deuses secundários, os anjos dirigidos por Mossura, os quais posteriormente rebelar-se-iam contra Deus (tornaram-se os asuras). Veio então Shiva, e arrojou-os ao inferno (fogo da transformação; Sivanataraj). Shiva tornou-se a terceira pessoa da Santíssima Trindade Brahmânica em consequência das sucessivas invasões bárbaras sofridas pela Índia. Os bárbaros crendo em Shiva, o deus da lascívia e do sensualismo, impuseram sua inclusão, com o que surgiu a trindade divina de Brahma.
Matsyavatara traz o dilúvio
Manu ensinara igualmente que Deus criara o homem e a mulher, fazendo-os apenas inferior a Deva, isto é, Deus. O primeiro homem recebera o nome de Adima ou Adam, e a primeira mulher, Heva, significando o complemento da vida. Foram postos no paraíso celeste e receberam ordem de procriar. Deveriam adorar a Deus, não podendo sair do paraíso. Mas, um dia, indo ver o que havia fora dali, desapareceram. Brahma perdoou-os mas, expulsou-os, condenando-os a trabalhar para viver. E disse que por haverem desobedecido, a Terra, tornar-se-ia má, porque o espírito do mal dela se apoderara. Entretanto, mandaria seu filho Vishnu, que se encarnando em uma virgem, redimiria a humanidade, libertando-a definitivamente do pecado da desobediência.


No Mazdeísmo, Ormuzd (o mesmo que Ahura) teria prometido ao primeiro casal humano que, se fossem bons, seriam felizes na Terra. Mas, Arimã mandou que um demônio em forma de serpente, aconselhasse a desobedecerem a deus. Comeram os frutos que Arimã lhes deu, acabou a felicidade humana, e todos os que nascessem daí em diante, seriam infelizes. Sendo levados cativos para a Babilônia, os judeus ali encontraram tal lenda. Libertos, voltando à Judéia, trouxeram essa crendice, como também a crença da imortalidade da alma e da vida futura, dos espíritos bons e espíritos maus, surgindo daí, os anjos Gabriel, Miguel e Rafael, os querubins e serafins. Nasceu daí, o mito do diabo, o anjo rebelado.
A palavra paraíso é o termo persa que significa jardim. Os persas, os hindus, os egípcios e os gregos criam no paraíso. Da mesma forma, todos eles criam no inferno. Entretanto, as crenças antigas desconheciam as penas eternas, que foram criadas pelo cristianismo, aliás, uma das poucas coisas originárias dessa crença. Também o purgatório, naturalmente, é outra novidade do cristianismo, sendo desconhecido do judaísmo). A ideia do purgatório vem de Platão, que havia dividido as almas em puras, curáveis e incuráveis.
Fragmento contendo antiga
representação de Shiva em Mohenjo Daro
Os filhos de Adima e Heva haviam-se tornado numerosos e maus. Por isso, Deus mandou o dilúvio para matá-los. Mas, deu ordem a Vadasuata (Manu) para construir um barco e nele entrar com a família, devido ao fato de ser um homem virtuoso. Deveria levar consigo, além da família, um casal de cada espécie de animal existente: Esta é a história do dilúvio relatada nos Vedas, e que foi incluída na Bíblia dos cristãos. As origens do cristianismo repousam, incontestavelmente, nas lendas e crenças dos deuses mitológicos, não apenas dos judeus, mas também de outros povos.
Os caldeus e os fenícios, como os judeus haviam-se especializado no comércio, e por dever de ofício, alfabetizaram-se. Assim, sabendo ler e escrever, puderam copiar as lendas e o folclore dos povos com os quais comerciavam e conviviam, os quais puderam adquirir longevidade e fixar-se melhor na memória humana.
Sendo comerciantes por excelência, os judeus perceberam que a religião poderia tornar-se uma boa mercadoria, através da qual adviria o domínio de muitos povos e vontades. Desta forma, tendo compilado o que julgaram mais interessante ou mais proveitoso em relação aos seus propósitos, passaram a difundir pelo mundo as suas ideias religiosas. Com isto, o conhecimento e a razão, foram substituídos pelas crendices e superstições religiosas.
Desde há muito, a religião tem servido para moderar os impulsos humanos, sobretudo, daqueles que pertencem a uma classe social menos favorecida. Salientamos o prejuízo que o mundo tem sofrido, com o rebaixamento mental, imposto com as crenças e superstições religiosas, com o que o conhecimento sofre uma estagnação sensível. No entanto, o homem tem-se deixado levar pelas crenças e práticas religiosas, sem que nenhum benefício lhe advenha em retribuição. O homem tem feito tudo por si mesmo, apesar de sua religiosidade. A única classe beneficiada realmente com a religião, é a dos sacerdotes.
A Bíblia cita dez patriarcas que teriam morrido em idade avançada, antes do dilúvio. Contudo, essa lenda provém da tradição caldáica, segundo a qual, dez reis governaram durante 432 anos. Da mesma forma, as lendas hindus, egípcias, árabes, chinesas ou germânicas fazem referência a homens que teriam tido uma longa vida, como a do Matusalém da Bíblia.
Abraham e Isaac
Igualmente a lenda de Abraão, que deveria sacrificar o seu filho Isaac, procede de lendas anteriores ao judaísmo. O livro das profecias hindus relata uma história igual. Ramatsariar conta que Adgitata, protegido de Brahma, por ser um homem de bem, teve um filho que nasceu tão milagrosamente como Jesus. Entretanto, Brahma para experimentá-lo, ordena-lhe que sacrificasse o filho. Ele obedece, mas Brahma impede-o no momento exato, seu filho seria o pai de uma virgem, a qual por sua vez, seria a mãe de deus-homem.
José e a mulher de Putifar foi a cópia de uma velha lenda egípcia, conforme documentos recentemente traduzidos. Era uma história intitulada "Os dois irmãos". Emílio Bossi relatando o achado, dá a palavra a Jacolliot: "Um homem da Índia, fez leis políticas e religiosas; chamava-se Manu. Esse mesmo Manu, foi o legislador egípcio, Manas. Um cretense vai ao Egito estudar as instituições que pretende dar ao seu pais, e a história confirma-nos isto dizendo que esse cretense foi Minos. Enfim, o libertador dos escravos judeus chamava-se Moisés, que teria recebido as leis das mãos do próprio Jeová. Temos então, Manu, Manes, Minos e Moisés, os quatro nomes que predominaram no mundo antigo. Aparecem nos albores de quatro diversos povos para representar o mesmo papel, rodeados da mesma auréola misteriosa, os quatro são legisladores, grandes sacerdotes e fundadores das sociedades teocráticas e sacerdotais. Esses quatro nomes têm a mesma raiz sânscrita. O hinduismo deu origem ao judaísmo. Por isso, de Jeseu Krishna fizeram Jesus Cristo".
Adoração aos bezerros
Documentos recentemente estudados mostram terem sido os hindus os prováveis colonizadores do Egito. A documentação demonstra que o conhecimento nasceu do saber hindu. A assiriologia mostra que a lenda de Moisés foi copiada da de Sargão I, rei acádio, que igualmente teria sido salvo em um cesto deixado no rio, a deriva.
A lenda de Sansão é outro exemplo. Sansão representa o sol. O poder que lhe foi atribuído é o mesmo dos deuses solares. E assim, examinando os escritos de antigas civilizações, chegamos ao conhecimento das origens de tudo o que a Bíblia narra como fatos reais. Concluímos então que Jesus Cristo nada mais representa, que uma cópia das lendas e mitos dos deuses, adorados por povos os mais remotos e variados.


Quem conhece a Naubandhana?

Naubandhana
Para engrandecer os poderes de Deus, a “Lenda de Utnapishtim” e a “Naubandhana”, teriam sido transformadas no Dilúvio bíblico.

Naubandhana (um termo sânscrito que significa “a Nau encalhada”), se refere Arca hindu que num dos Grandes Dilúvios que assolaram o mundo dos homens, encalhou no Himalaia. O local ficou conhecido como "Monte Aaraty", devido ao primeiro sacrifício realizado por Manu antes de descer da nau. 

A tradição hindu tem textos religiosos falados que incluem relatos com cerca de 8000 anos. E o vedismo indiano, que significa “conhecimento”, e que tem mais de 5000 anos, e é chamado de bramanismo ou hinduísmo, ensina que Devas (que em sânscrito significam Sol luminoso, e origina a palavra 'deus'), criou da lama o primeiro homem, que recebeu o nome de Adiaham, e a primeira mulher, Heva, que significa “O complemento da vida”.

Mas como algumas gerações depois os filhos de Adam e Heva se tornaram numerosos, depravados e maus, Devas mandou o Naubandhana (Dilúvio) para matá-los. 
Todavia, como Vadasuata era um homem virtuoso, antes do “Naubandhana”, Devas avisou Vadasuata (Manu) para que construisse uma imensa Arca, e nela embarcassem com a sua família, e um casal de cada espécie de animal existente.
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SAIBA MAIS
Fonte do texto: Morte Súbita
Veja sobre Egito e Vedas: Sravanti
Shiva: Formas de Shiva nas artes
Sobre Zoroastrismo: Conheça o Masdeísmo

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Índia continua sendo 'hindu'

Swami Krsnapriyananda


Festival de Ganesha Chaturti - Índia


Índia, a origem
A história da Índia é a história da humanidade. Sem dúvida, não temos como negar isso, porque a região do que hoje chamamos Índia, ou “Bharata” conforme os indianos a chamam - é a terra da diversidade cultural e religiosa. Diversidade, abundância, variedade, são características da Índia. Se há povo que possui uma grande variedade de religiões, cultos, crenças, bem como uma enormidade de línguas vivas faladas, sem dúvida este é o da Índia. Mais de 20 línguas oficiais; cerca de 30 comemorações de ano-novo diferentes. Se somarmos as variações dentro do que chamamos de “Hinduísmo” – Sanatana-dharma-, encontraremos cerca de trinta mil do que conhecemos no Ocidente como “religião”. Apesar desta imensa variedade de pessoas, crenças e língua, a Índia é, sem dúvida nenhuma, o país da Democracia. Em poucos lugares do mundo poderemos encontrar uma diversidade de pessoas e crenças como o que vemos na prática religiosa da Índia. Além da enorme diversidade de “religiões” dentro do que conhecemos como “Hinduísmo”, há quase uma centena de religiões outras, normalmente advinda de outras regiões próximas ao território indiano, geralmente do Oriente Médio. A Índia é onde podemos encontrar Parsis (a antiga religião dos Persas); Sikhs, uma mescla de Hinduísmo como Islamismo; Jainistas, culto niilista ateu, que deu origem também a culto de igual ordem, o Budismo. Também encontramos Mazdeistas ou Zoroatros; Judeus indianos (alguns reivindicam a nacionalidade israelita, por se consideram “tribo perdida de Israel”, e mais recentemente os Lamaistas, advindos do Tibete, expulsos pelos chineses, etc.

Também encontramos Islâmicos das mais variadas ordens, inclusive, alguns que compactuam com as festividades dos Hindus. Apesar de grandes conflitos locais promovidos por fanáticos islâmicos, a Índia abriga centenas e milhares de credos, religiões, crenças, seitas, numa infinidade que não seria possível denominarmos completamente.

Os cristãos, chegados em grande parte no período da colonização européia, apesar da longa dominação que se estabeleceu no comércio com as índias, não são expressivos em número no continente. Muito poucos se converteram à fé trazida pelos Europeus; então mantiveram uma convivência pacífica com aqueles que defendem o religião do Messias.

Um exemplo do período colonial português está em Goa, onde encontramos a Igreja de São Tomé, local que é dito estar o corpo daquele discípulo de Jesus. Nesta igreja, muitos vêm orar com seus trajes típicos indianos; de fato, não é possível diferenciar a adoração que é feita naquela igreja daquelas que são feitas nos templos ao Senhor Krishna ou de Devi (forma feminina de Deus). Quem sabe, a diferença mais notável seja a presença do crucifixo, que apesar de não ser de uso exclusivo dos cristãos, aos poucos se firmou como ícone representativo daquela fé.

Colonizadores
A recepção aos pregadores cristãos, na época das Grandes Navegações, até a independência da Índia em 1947, no mais das vezes foi pacífica. A convivência com a tradição religiosa e cultural da Índia e dos ingleses acabou dando um matiz diferente para o que hoje temos conhecido como “sistema de castas”. Até a chegada dos ingleses, “casta” ou “varna”, dizia respeito tão somente à ocupação e função que cada um exercia na sociedade. A distinção trazida entre realeza, comerciantes, e povo em geral, inclusive com a proibição de casamento entre pessoas de “classes diferentes”, acirrou-se com a dominação inglesa.

Nos primeiros tempos da colonização, a coroa inglesa impedira que os pregadores anglicanos fossem até a terra das especiarias conquistar novos adeptos. Mas no devido decurso do tempo as missões de conversão se infiltraram na Índia. Apesar do enorme esforço despendido pelos evangelistas ingleses, foram poucos os que se converteram a nova fé. A grande maioria dos convertidos tratava-se de muçulmanos pobres. A razão para isso se deveu ao fato de que religião na Índia é o que tem menos influência, estando abaixo da religiosidade e da fé. Uma forma diferente de conviver com o Sagrado. De acordo com a religiosa da Índia, se há tão somente um único e mesmo Deus, então, por que mudar de religião? Ainda mais que a religiosidade vivida em Bharata é prática, e vivencial, não se separa Deus e o mundo. Profano e sagrado é uma questão de consciência. Na filosofia prática religiosa da Índia, Deus não está fora ou dentro de templos tão somente, mas sim dentro de nós. Assim como a morte não está distante da vida, Deus não está fora, mas dentro de nós. Ele é imanente e transcendente. Por conseguinte, Deus é uno e igual para com todos. Eis porque foi difícil converter os indianos ao cristianismo, onde mesmo hoje notamos o pequeno número deles em todo o imenso território da Índia. Nem mesmo o apelido depreciativo “índio”, “indígenas”, que tinha o sentido original de “gentinha; com jeito e cara de gente, mas não são gente, nem sequer têm almas”, porque não eram batizados, foi suficiente para demover a fé prática que os indianos possuem.

Tentativa nova
Apesar da insistência de conversão dos indianos ao cristianismo, realizada pelos antigos cristãos, a presença deles no território da Índia fora pacífica. Um ou outro evento isolado promoveu algum distúrbio temporário, mas nada que não fosse resolvido de forma diplomática e pacífica. Mas a partir da década de 50 acirraram-se a chegada dos neopentecostalistas. Com a independência, a Constituição da Índia, promulgada em 1947, tendo sido uma conseqüência direta da ação do movimento de resistência pacifica de Mahatma-Gandhi, a Índia tornou-se o maior país democrático do mundo. 

Festival Kumbhamela
A abertura para as religiões cristãs, agora num grande número de denominações, deu início a uma campanha em massa em busca da conversão. Contudo, mais uma vez, a grande diversidade religiosa e de línguas, bem com a imensa variedade de povos, povoados, hábitos e costumes, não permitiu que a conversão atingisse mais que uns poucos números de indianos paupérrimos, nada muito significativo, numa população que na época chegava aos 800 milhões de pessoas.

Mesmo que a população da Índia hoje beire um bilhão e duzentos milhões de pessoas, encontrar cristãos na Índia, sem dúvida, será difícil, e a sua maioria será constituída de estrangeiros. As razões permanecem as mesmas: diversidade da cultura; religião vivida na prática sem separar o “profano” do “sagrado”; crença que Deus é um e mesmo, apesar de Seus muitos nomes e formas. Em fim, a Índia vive uma religião desinstitucionalizada. 

Contudo, a experiência antropológica diz que há normas culturais que permanecem acima de qualquer nova idéia, principalmente se esta é advinda de fora. Um exemplo notável foi o que aconteceu no ano de 2006, onde, então, um grupo de neopentecostalistas, encabeçados pela Igreja Universal (de origem brasileira), beirou á loucura. Por exemplo, entre tantas outras coisas, eles ofereceram do modo dissimulado carne de gado para o povo. Quando isso foi descoberto, gerou tamanha rebelião dentro do país que ficou muito difícil alguém manter sua posição de cristão sem ser molestado por algum grupo de devotos ou religiosos indianos. Apesar de nós aqui termos bem claro as distintas diferenças entre uns e outros cristãos, na Índia isso não existe. Para eles, todos que defendem a religião do "Messias" são cristãos, independentemente do “cristianismo” que defendam. Então, tamanha desavença gerou por fim a expulsão da maioria dos neopentecostalistas da Índia, ato votado pela  Corte indiana, que amparada na Constituição e nas Leis Civis, não mais permitiu que aqueles atuem em todo o território da Índia, tampouco nas ilhas além-mar que sejam do Governo indiano. Foram expulsos, e não mais poderão entrar no território para fins religiosos.

Conclusão
O povo da Índia, vista como sendo a terra de “pagãos ignorantes” - por parte dos neopentecostais, e muitos cristãos tradicionais - até então absolutamente pacífico por centenas, senão milhares de anos, com uma cordial convivência religiosa entre os povos e religiões do mundo, mostrou-se firme e mais do que nunca convicto da sua própria fé diante da crescente e constante ameça neopentecostal. Como vimos, religião é o que menos incomoda o indiano. Há centenas de milhares delas por toda a Índia. Pode ser que numa mesma casa convivam pessoas de religiões distintas, sem que isso incomode uns aos outros. Mas apesar desta imensa diversidade religiosa, não será possível impor costumes e tradições outras que estão fora do ethos do povo da Índia. A vaca ocupa uma posição central na fé dos indianos, sejam eles Hindus, ou qualquer outra religião que esteja no país. Mesmo muçulmanos se abstêm de carne de gado, no mais das vezes, porque compreendem se agirem diferente isso irá pôr a Índia em colapso. Isso porque a maior parte da população da Índia cozinha em esterco de gado, e o utiliza como adubo para manter as suas enormes plantações de arroz. 

As tentativas de conversão à força, com o uso da violência estrutural na Índia, protagonizadas por aqueles neopentecostais, não surtiram efeitos na sua pretensão inicial (converter os ignorantes), acabando por gerar a antipatia da população em geral. Lástima que isso tenha acontecido, contudo, isso deverá servir de experiência antropológica para as gerações futuras, quem sabe, numa “moral da história”, possamos entender que o ethos de um povo é sua raiz e tronco, os quais removê-los será mais fácil do que controlar o incontrolável. Tentar mudá-lo será o mesmo que tentar deter o vento numa gaiola, cuja grades sejam feitas de ideologias, na tola maneira de ver os diferentes morais como sendo abjetos da verdade.

Hari OM Tat Sat

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Lila Amoroso

Swami Krishnapriuyananda Saraswati 

Gita Ashrama  

2007-2010 


Srimati Radha Rani, e Kana Deva (Sri Krishna)

“Caro Swami Krishnapriyananda
Já participei de alguns movimentos religiosos do Yoga, e quase todos eles se mostraram de discriminação contra a mulher, bem como os afetos e a realização amorosa em geral. Também vi, por outro lado, um culto exagerado ao sexo e a exploração da mulher. Será isto uma característica do Yoga ou estou enganada? “
Maria


OM
Cara Maria,
Certa feita comentamos sobre a questão da mulher dentro do Hinduísmo, onde salientamos o que o Senhor Krishna disse no Bhagavad-gita, 10.34

mrityuh sarva-harash caham
udbhavash ca bhavisyatam
kirtih shrir vak ca narinam
smritir medha dhritih ksama

“Eu Sou a morte a que tudo devora, bem como O gerador das futuras gerações. Das qualidades femininas, Eu Sou a fama, a bela fala, a fidelidade, a fortuna, a inteligência a memória e a paciência”. 

Quem souber ler o conteúdo profundo deste shloka do B.gita, com certeza, entenderá que Krishna, apesar de ser o masculino supremo, possui tanto as qualidades masculinas como as femininas, sendo que “inteligência”, “memória”, e “paciência”, são enumeradas, entre outras tantas qualidades, como sendo femininas. 

Na atual era em que estamos vivendo, kali-yuga, as pessoas perderam quase que por completo a memória; sendo que pessoas inteligentes são muito raras de encontramos. Quase por via de regra, elas apenas atiram-se na busca do gozo dos sentidos grosseiros; e as mulheres, nas sociedades modernas, são vistas tais quais objetos descartáveis, um produto de consumo, e que cada dia mais cedo é colocada no “mercado de consumo”.

Por sua vez, os livros sérios sobre Yoga jamais irão deturpar, denegrir, subestimar, ou mesmo explorar sexualmente a mulher. A exploração sexual da mulher não é outra coisa senão o resultado da atitude desenfreada da busca pelo gozo dos sentidos, disfarçada de espiritualidade, e outras coisas do gênero da decadência humana. 

No Shaktisangama-tantra, 2.52, livro escrito faz quase um milênio, encontramos uma exaltação à mulher, que deixa um tanto a desejar a nossa posição atual em defesa da feminilidade. Ali está escrito: “A mulher cria o universo, ela é o próprio corpo desse universo. A mulher é o suporte dos três mundos, ela é a essência de nosso corpo. Não há outra felicidade senão aquela proporcionada pela mulher. Não há outro caminho senão aquele que a mulher pode dispor para nós. Nunca houve e nunca haverá, nem ontem, nem agora, nem amanhã, outra ventura senão a mulher; nem reino, nem peregrinação, nem yoga, nem prece, nem fórmula mágica (mantra), nem ascese, nem plenitude além daquela prodigalizada pela mulher”. Contudo, se continuarmos despreparados, tendo em vista apenas a satisfação grosseira dos genitais, não conseguiremos entender os significados contidos naquele belo texto. 

Shri Krishna está sempre perdido de amor pelas Gopis, e especialmente por Radharani. Ele é conhecedor das sessenta e quatro artes védicas, e, entre elas, está a arte de amar, chamada de kama-sûtra, ou escritos sobre o amor. Ele, e não outro é o próprio autor deste texto sagrado. 

Lila de Sankara
Sankara encontra-Se com Devi
Diz-se que, certa feita, Shri Shankara estava argumentando filosofia com Srimati Bharati (encarnação de Saraswati), esposa de Mandana Mishra, e derrotava-a em todos os argumentos de lógica, e de outras escrituras. Mas quando foi inquirido acerca do Kama-sutra ou Kama-Sastra, Shri Sankaracharya  disse não conhecer nada. Então foi desafiado por ela para um debate dias mais tarde, sobre a arte do amor. Ora, todos os sannyasis são renunciantes do sexo, e por isso, erroneamente se considera que devem se afastar da leitura de livros que falem sobre ele. Esta é a regra comum. Mas nunca, em momento algum, fugir de um problema será uma forma de resolvê-lo. Por isso, Shri Shankara empenhou-se em estudar profundamente sobre esta arte védica, mesmo sendo um naisthika-brahmachary, ou um brâhmana que nunca teve mulheres, nem mesmo tenha se casado alguma vez. De forma mística, ele tomou o corpo de um rei que estava prestes a ser cremado, e o ressuscitou; teve experiências com a rainha, e depois de alguns dias veio e deixou toda uma platéia profundamente comovida pelos passatempos amorosos do Senhor Krishna. Shankar contou os passatempos mais secretos da Suprema Personalidade de Deus, Shri Krishna e Radharani, e todos viram a maravilha que o amor divino faz. É evidente que não se trata de amor carnal comum, e que uma pessoa despreparada não saberá entender; e, sem nenhuma orientação, poderá atirar-se nas mais baixas atividades dizendo tratar-se de “amor”. 

Quando ouvimos os versos apaixonados do Gita Govinda, escritos por Jayadeva, nosso coração se estremece diante do profundo amor que o Senhor Krishna sente por Radharani, e Ela por Ele. Naquele poema, são descritos com tais minúcias os passatempos amorosos do Senhor, que descobrimos que alma é feminina por natureza, e somente Krishna é masculino. Isso é muito transcendental, e está sujeito a muitas más interpretações. Mas, de fato, Krishna é Maha-purusha, ou seja, o único macho. Este é o verdadeiro sentimento que as Gopis nos desvelam nos bosques de Vrindavana. O Sentimento de Radhika-bhava é o sentimento mais profundo de amor por Deus, que um devoto pode experimentar. No estado feminino de amor por Krishna, o coração do devoto fica tão repleto do êxtase de amor puro por Deus que nada mais lhe interessa. O Senhor Cheitanya veio ao mundo como um avatara do Senhor para nos ensinar este profundo sentimento de amor por Deus, tal qual Radharani experimenta por Krishna, independentemente de raça, credo, religião, sexo, gênero, espécie, etc., etc. 

Desafortunadamente, a personalidade humana da kali-yuga está muito aquém dos reais entendimentos dos passatempos amorosos - Lilas - de Shri Shri Radha-Krishna; de modo que grande parte dos mestres acharyas preferiu instruir sobre aqueles assuntos amorosos somente para seus discípulos mais chegados. 

E devido aos crescentes malentendimentos, nós não podemos falar destas coisas para qualquer pessoa, porque as mentes da grande maioria delas estão mergulhadas na busca desenfreada do gozo dos sentidos, e tudo interpretam, às suas maneiras, de modo malicioso e degenerado. Os Vedas dizem que “para o impuro tudo é impuro”, de modo que a mente impura da humanidade atual é incapaz de entender a verdadeira feminilidade.

Quem puder entender o real sentido e significado dos passatempos amorosos do Senhor pode ser considerado um iluminado, porque, de fato, atingiu a suprema compreensão que Krishna é a meta final de tudo, inclusive do próprio amor e do sexo.

Hari Hara Om Tat Sat
Swami Krishnapriyananda